A temperatura média global atingiu valor recorde em maio deste ano pelo 12º mês consecutivo, segundo levantamento dos cientistas do observatório europeu Copernicus. O relatório Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus (C3S) apontou um aumento de 0,65ºC comparado à média de 1991 e 2020.
O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, citou os dados do C3S ao pedir por uma ação urgente nesta quarta-feira, 5, Dia Mundial do Meio Ambiente: “Nós não estamos apenas em perigo, nós somos o perigo, mas também somos a solução. Estamos em um momento de verdade”, afirmou Guterres.
O estudo da Copernicus mostra que o planeta está aquecendo a uma taxa sem precedentes, com temperaturas médias globais atingindo novos máximos históricos. Nos últimos 12 meses, a temperatura média global chegou ao patamar mais alto já registrado, alcançando 0,75°C acima da média de 1991 a 2020.
A elevação é ainda mais preocupante quando comparada à média pré-industrial, entre 1850 e 1900, registrando um aumento de 1,52ºC. Maio marca o 11º mês consecutivo em que a temperatura média global ultrapassou os 1,5ºC acima dos níveis pré-industriais. Nos últimos 12 meses, a temperatura foi 1,63°C mais quente.
O diretor do C3S, Carlo Buontempo, emitiu um comunicado sobre os resultados: “É chocante, mas não surpreendente, que tenhamos alcançado essa sequência de 12 meses. Embora essa sequência de meses recordes seja eventualmente interrompida, a assinatura geral da mudança climática permanece e não há sinal de uma mudança dessa tendência”, afirmou.
A Organização Meteorológica Mundial (OMM) também divulgou informações que corroboram os dados. Na Atualização Global Anual para Decadal do Clima, a OMM adverte que estamos nos aproximando dos limites estipulados pelo Acordo de Paris.
De acordo com a organização, espera-se que a temperatura média global esteja entre 1,1ºC e 1,9ºC acima dos níveis do período de referência de 1850 a 1900, para cada ano do período de 2024 a 2028. A probabilidade de a temperatura média global passar de 1,5ºC em pelo menos um desses anos é de 80%. Ao longo do período de cinco anos, a chance de ultrapassar 1,5ºC da era pré-industrial é de 47%.
“Estamos quebrando recordes de temperatura global e colhendo um redemoinho. É a hora da verdade climática. Agora é o momento de mobilizar, agir e entregar”, afirmou Guterres. (Com Terra, g1 e ONU)


