Votação mequetrefe de Keniston, Rafael e Braz “enterram” de vez grupo político de Darci Lermen em Parauapebas

Os três ex-candidatos tiveram uma votação muito abaixo do esperado e os eleitores jogaram “água no chope” do grupo político do ex-prefeito Darci Lermen.

PARAUAPEBAS (PA) – A votação obtida pelo deputado federal Keniston Braga (MDB), pelo deputado estadual Ivanaldo Braz (PSD) e por Rafael Ribeiro (PSD) nas eleições de 2026 acendeu um sinal vermelho para o grupo político ligado ao ex-prefeito Darci Lermen (MDB). Juntos, os três somaram apenas 42.072 votos em Parauapebas, resultado que pode ser interpretado como um duro revés para uma força política que comandou o município por 16 anos, mesmo que tenha “afundado” a cidade em dívidas e casos de corrupção.

Os três nomes fazem oposição ao prefeito Aurélio Goiano (Avante) e possuem ligação política com o grupo que esteve à frente da Prefeitura Municipal de Parauapebas (PMP) durante as gestões anteriores. Keniston, Braz e Rafael Ribeiro eram considerados importantes integrantes do “núcleo duro” da estrutura política que sustentou Darci Lermen no município de Parauapebas.

O número ganha ainda mais peso quando comparado com o resultado da eleição municipal de 2024. Naquele pleito, foram registrados 92.073 votos na disputa para prefeito de Parauapebas a favor de Aurélio Goiano. Portanto, a soma dos votos conquistados agora pelos três adversários do atual governo passa longe desse universo eleitoral e evidencia a dificuldade do antigo grupo em recuperar o protagonismo político na “Capital do Minério”.

A derrota do grupo ocorre depois de uma mudança significativa no cenário político local. Darci Lermen deixou a Prefeitura em 2024 enfrentando forte desgaste político e elevada rejeição popular, algo em torno de 65%. Já Aurélio Goiano assumiu o município denunciando ter encontrado uma Prefeitura “quebrada”, com uma dívida estimada em cerca de R$ 260 milhões, além de dificuldades administrativas e de arrecadação.

O início do novo governo foi marcado justamente pelo desafio de “colocar a casa em ordem”. A administração precisou administrar compromissos herdados e, ao mesmo tempo, enfrentar a redução da arrecadação municipal, especialmente em razão da queda das receitas relacionadas à Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM), fonte importante para uma cidade fortemente dependente da atividade mineral.

Apesar das dificuldades, a avaliação política dentro do grupo governista é de que setores como saúde, educação, infraestrutura e urbanismo começaram a apresentar avanços, incluindo serviços básicos como recuperação de ruas e operações “tapa-buracos”. A continuidade desses resultados será fundamental para determinar se o capital político conquistado por Aurélio Goiano em 2024 poderá ser mantido ao longo do mandato.

Aurélio Goiano na campanha de 2024 – Foto: Reprodução

A conta política das urnas

A eleição de 2026 também pode representar algo maior: o enfraquecimento de um ciclo político que dominou Parauapebas por quase duas décadas. A onda de renovação que atingiu diferentes grupos e partidos pelo Brasil afora  parece também ter produzido reflexos no município de Parauapebas.

Durante anos, Keniston, Braz e Rafael Ribeiro estiveram politicamente próximos de Darci e integraram a estrutura de poder construída em torno das administrações anteriores. Por isso, o desempenho dos três nas urnas acaba funcionando, politicamente, como uma espécie de termômetro da força que ainda resta ao antigo grupo.

É importante separar, porém, a crítica política de acusações criminais. Questionamentos sobre enriquecimento ou corrupção envolvendo antigos agentes públicos dependem de investigações, processos e decisões judiciais individualizadas. O que as urnas permitem afirmar objetivamente é que os candidatos associados ao antigo grupo não conseguiram reproduzir, em 2026, a força eleitoral que essa estrutura política já teve em Parauapebas.

Para Aurélio Goiano, entretanto, o resultado favorável aos seus interesses políticos também aumenta a responsabilidade. Doravante, cabe ao prefeito transformar apoio eleitoral em uma gestão eficiente, moderna e capaz de produzir resultados concretos para a população.

Existe ainda uma cobrança dentro do próprio campo político que ajudou a eleger Aurélio em 2024: a valorização dos antigos “companheiros”. Parte dos apoiadores reclama que pessoas que participaram diretamente da construção da vitória eleitoral perderam espaço depois que o novo governo chegou ao poder, pois houve um desprezo por parte de Aurélio Goiano a vários parceiros de luta.

Na linguagem popular da política, seriam as chamadas “moscas do poder”: personagens que se aproximam depois da vitória, conquistam influência dentro da administração e acabam afastando ou desvalorizando quem participou da caminhada desde o início. Se essa percepção crescer, poderá transformar uma vantagem política atual em problema no futuro.

“No frigir dos ovos”, entretanto, o resultado das urnas de 2026 indica que os ventos da esperança e da confiança de parcela expressiva do eleitorado de Parauapebas continuam soprando a favor de Aurélio Goiano. No entanto, se não houver sabedoria, o “caldo pode entornar” e o “Doido” poderá perder importantes antigos apoios.

Ao mesmo tempo, a votação de Keniston Braga, Ivanaldo Braz e Rafael Ribeiro sugere que Darci Lermen e seu grupo ainda enfrentam dificuldades para reconstruir sua força eleitoral. Depois de 16 anos exercendo enorme influência sobre a política municipal, o antigo grupo saiu das eleições de 2026 menor do que entrou.

As urnas não decretam definitivamente o fim de nenhum grupo político, mas deixam recados. E o recado de Parauapebas em 2026 parece claro: o ciclo político comandado por Darci Lermen perdeu força, enquanto Aurélio Goiano ganhou uma nova oportunidade para consolidar sua liderança — desde que transforme confiança eleitoral em resultados administrativos. (PEDRO SOUZA)

Aurélio Goiano – Foto: Reprodução

Relacionados

Postagens Relacionadas

Nenhum encontrado

Cadastre-se e receba notificações de novas postagens!