Vale: antigos proprietários reassumem terras da Alpa em Marabá

A Vale está agora obrigada a recuperar danos ambientais e restaurar a área antes da homologação judicial da devolução.
Crédito: Reprodução

MARABÁ, SUDESTE DO PARÁ – Em 2008, a região de Gleba Quindangues, localizada às margens da Rodovia Transamazônica, a apenas 10 quilômetros do centro de Marabá, foi desapropriada pelo governo estadual. O objetivo era viabilizar o projeto Alpa (Aços Laminados do Pará), desenvolvido pela mineradora Vale, que prometia revolucionar a economia local. Na época, 26 áreas, avaliadas em cerca de R$ 60 milhões, foram adquiridas do total de proprietários. Contudo, o valor pago foi contestado por 22 dos proprietários, que alegaram subavaliação e buscaram na justiça uma compensação mais justa.

A disputa judicial, que levou anos, acabou resultando em uma indenização total superior a R$ 120 milhões, para uma área de aproximadamente 1.100 hectares. Enquanto isso, a Alpa, um projeto ambicioso da Vale com um orçamento de US$ 3,7 bilhões, tornou-se um grande fracasso. A mineradora, que havia prometido uma produção anual de 2,5 milhões de toneladas de aço e a criação de até 37 mil empregos, abandonou o projeto antes de sua conclusão. As promessas de infraestrutura e empregos foram desapontadoras, e a área ficou desocupada e com vários problemas ambientais.

A Procuradoria Geral do Estado (PGE) orientou a devolução da área aos antigos proprietários, mesmo que estes já tenham sido compensados financeiramente. A Vale está agora obrigada a recuperar danos ambientais e restaurar a área antes da homologação judicial da devolução. As obras de recuperação começaram em outubro do ano passado e estão previstas para serem concluídas até 20 de dezembro deste ano, sob a responsabilidade da empresa LLcucena Infraestrutura.

Ao longo dos anos, a Vale tentou viabilizar outros projetos para a área, como parcerias com a Cevital e a empresa chinesa CCCC, mas todas as iniciativas falharam. Agora, após tantos revezes e promessas não cumpridas, a Vale decidiu devolver a área ao Estado, que por sua vez está reintegrando-a aos proprietários originais.

A área desapropriada, que sofreu com invasões e falta de utilização, agora poderá ter um novo destino. Alguns vereadores de Marabá sugerem que a região seja convertida em um Distrito Industrial III, dado que os dois anteriores já estão saturados e sem espaço para novos empreendimentos.

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