O famoso ‘chip da beleza’, buscado por quem quer melhorar o corpo ou a libido, está sob a mira de especialistas. O alerta é claro: o uso indiscriminado desses hormônios implantáveis eleva consideravelmente o risco de problemas vasculares graves, como o AVC.
De acordo com o neurologista Antônio de Matos, o principal risco está nas alterações da coagulação sanguínea provocadas pelos hormônios presentes nesses implantes, que geralmente contêm derivados androgênicos ou combinações hormonais sem padronização segura.
“Esses implantes podem aumentar a viscosidade do sangue e favorecer a formação de coágulos. Quando um coágulo obstrui uma artéria cerebral, ocorre o AVC isquêmico, que pode deixar sequelas graves ou até levar à morte”, explica o especialista.
Estudos médicos já apontam que o uso de hormônios — especialmente em doses acima das consideradas fisiológicas — está associado a um maior risco de trombose, embolia e eventos cerebrovasculares. O perigo é ainda maior em mulheres com fatores de risco como histórico familiar, tabagismo, enxaqueca com aura, hipertensão arterial ou uso simultâneo de anticoncepcionais.
Segundo Antônio de Matos, a situação se agrava pelo fato de muitos implantes serem utilizados sem indicação clínica clara e sem acompanhamento médico adequado.
“O que preocupa é que o ‘chip da beleza’ costuma ser vendido como algo inofensivo. Na prática, estamos falando de hormônios com impacto direto no sistema vascular e no funcionamento do cérebro”, alerta.
Outro ponto destacado pelo neurologista é o aumento de casos de AVC em pessoas jovens. Ele ressalta que o uso de hormônios pode atuar como um gatilho silencioso para o problema.
“Hoje observamos AVC em pacientes jovens, sem doenças aparentes. Em muitos desses casos, ao investigar melhor, identificamos o uso recente de implantes hormonais ou terapias estéticas feitas sem controle médico rigoroso”, afirma.
O especialista reforça que qualquer tipo de tratamento hormonal deve ser realizado apenas com indicação precisa, exames prévios e acompanhamento contínuo.
“Estética nunca pode estar acima da saúde. Antes de qualquer implante hormonal, é fundamental avaliar os riscos neurológicos e vasculares. O cérebro não pode ser colocado em perigo por promessas de resultados rápidos”, conclui Antônio de Matos.


