A descoberta de nódulos no pescoço da influenciadora paraense Paula Freitas, ex-BBB 23, durante uma cirurgia estética trouxe à tona um assunto que costuma passar despercebido por muitos pacientes: as complicações tardias relacionadas a procedimentos estéticos.
A influenciadora revelou que as estruturas endurecidas foram encontradas durante uma lipo de papada e de face.
Através de suas redes sociais, Paula compartilhou o relato e exibiu registros do material biológico que precisou ser removido às pressas. De acordo com a ex-BBB, os nódulos estavam rígidos e completamente aderidos aos tecidos internos da pele.
A complicação foi apontada pelos médicos como uma reação adversa a aplicações antigas de bioestimuladores de colágeno, produto injetável muito utilizado no mercado estético para flacidez.
Segundo a dermatologista Andressa Vargas, especialista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), situações como essa são incomuns, mas podem acontecer. Ela explica que os bioestimuladores de colágeno provocam uma resposta inflamatória controlada no organismo.
“Embora sejam considerados procedimentos seguros quando bem indicados e realizados, os estimuladores de colágeno podem, em alguns casos, levar à formação de nódulos meses ou até anos após a aplicação”, explica a especialista.
Como os nódulos podem surgir
De acordo com a médica, o organismo pode reagir de forma mais intensa do que o esperado após a aplicação desses produtos. Nesses casos, a inflamação pode persistir e dar origem a granulomas ou nódulos inflamatórios em regiões tratadas.
“Eventualmente, essa reação pode se tornar exagerada ou persistente, resultando na formação de granulomas ou nódulos inflamatórios tardios”, afirma a dermatologista.
Além da resposta individual de cada organismo, outros fatores também podem favorecer o surgimento dessas alterações. Entre eles estão erros na técnica de aplicação, uso excessivo do produto, aplicações muito superficiais, além de infecções, traumas locais e estímulos imunológicos que ocorram posteriormente.
“Fatores como técnica inadequada, aplicação superficial, volume excessivo, infecções, traumas locais ou estímulos imunológicos posteriores podem contribuir para o surgimento dessas complicações”, detalha.
Quando é preciso procurar ajuda médica
Embora a presença de nódulos não represente, em regra, risco à vida, alguns sinais exigem avaliação especializada. Dor, vermelhidão, aumento progressivo de tamanho ou alterações estéticas importantes são situações que merecem atenção.
“Os nódulos não representam risco à vida, mas podem causar desconforto, dor, alterações estéticas e impacto emocional importante”, alerta Andressa Vargas.
A especialista ressalta que qualquer mudança persistente na área tratada deve ser investigada para identificar a causa e definir a melhor abordagem.
Tratamento varia de acordo com cada caso
O tratamento depende das características dos nódulos e da intensidade dos sintomas. Em algumas situações, apenas o acompanhamento médico é suficiente para monitorar a evolução do quadro. Em outros casos, podem ser indicados medicamentos anti-inflamatórios ou infiltrações locais para controlar a reação.
“Os nódulos dolorosos, avermelhados, que aumentam de tamanho, apresentam sinais inflamatórios ou deformam a região tratada devem ser avaliados por um dermatologista”, orienta a médica.
Quando as medidas conservadoras não apresentam resultados satisfatórios, a remoção cirúrgica pode ser considerada, conforme avaliação individualizada.
Cuidados antes de fazer procedimentos estéticos
A prevenção continua sendo a melhor estratégia. Antes de realizar qualquer procedimento estético, é fundamental verificar a qualificação do profissional responsável, a procedência dos produtos utilizados e informar todo o histórico de tratamentos anteriores.
Também é importante seguir corretamente as orientações médicas antes e depois da aplicação e desconfiar de ofertas com valores muito abaixo dos praticados no mercado.
*Com informações do Terra


