Falar sobre saúde mental é também falar sobre cuidado, acolhimento e prevenção. Em Parauapebas, a campanha Setembro Amareloreforça a importância de quebrar o silêncio sobre o sofrimento emocional e de buscar ajuda sempre que necessário. Na prefeitura, esse trabalho é desenvolvido durante todo o ano pelo Centro de Treinamento e Recursos Humanos (CTRH), da Secretaria Municipal de Administração (Semad).
Nesta quinta-feira, 11, servidores do CTRH, da Semad e da Secretaria Municipal de Educação (Semed) participaram de um treinamento voltado à saúde mental, conduzido pelo psicólogo Fabiano Marinho e pela psiquiatra, geriatra e médica do trabalho Ana Paula Pacheco Lamego, da Rede de Atenção Psicossocial e Doenças Crônicas Não Transmissíveis da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa).


A atividade integra as ações de prevenção e conscientização desenvolvidas pelo município e cria um espaço de informação, diálogo e reflexão entre os profissionais.
O trabalho do CTRH vai além das ações realizadas durante o Setembro Amarelo. O setor disponibiliza atendimento psicológico, terapia individual e em grupo, além de promover palestras, encontros e capacitações nas diferentes secretarias municipais.
“As pessoas ainda têm muita dificuldade em se apresentar, em pedir ajuda, em falar que estão em sofrimento, em falar das suas ansiedades, em falar que precisam de uma ajuda”, afirma a coordenadora do CTRH/Semad, Juliana Câmara.
É justamente nesse ponto que as ações de conscientização ganham importância. Segundo ela, palestras, encontros e outras atividades coletivas acabam aproximando os servidores dos serviços oferecidos pelo CTRH e podem ser o primeiro passo para a busca por atendimento.
Quando pedir ajuda faz diferença
Para servidores que já passaram por momentos de sofrimento emocional, procurar atendimento pode representar uma mudança importante. O acolhimento profissional permite compreender melhor o que está acontecendo e encontrar caminhos para lidar com as dificuldades.
“Eu demorei para procurar ajuda porque achava que precisava dar conta de tudo sozinho. Quando finalmente procurei atendimento, percebi que falar sobre o que estava acontecendo não era sinal de fraqueza. Foi importante ter alguém para me ouvir e me orientar”, disse um servidor que prefere não se identificar, após a morte súbita de um familiar.
Outro servidor relata que o acompanhamento profissional ajudou a enfrentar uma fase difícil.
“Às vezes, a gente continua trabalhando, fazendo as coisas do dia a dia e sorrindo. Procurei atendimento, e isso me ajudou muito a entender o que eu estava sentindo e a perceber que pedir ajuda é uma forma de autocuidado”, ressaltou um servidor da Educação.
Os relatos reforçam uma das principais mensagens do Setembro Amarelo: pedir ajuda não é sinal de fraqueza. Reconhecer os próprios limites, conversar sobre o que se sente e buscar apoio são atitudes de cuidado e prevenção.

Saúde mental o ano inteiro
Embora o Setembro Amarelo concentre a atenção sobre a prevenção ao suicídio, as ações do CTRH acontecem durante todo o ano. O setor oferece acompanhamento psicológico, terapias individuais e em grupo, além de cursos, palestras e treinamentos voltados aos servidores.
A proposta é ampliar o acesso à informação e criar ambientes em que os profissionais se sintam mais seguros para falar sobre saúde mental e procurar apoio.
“O servidor precisa estar bem. Ele precisa estar bem mentalmente, bem fisicamente, precisa se sentir confortável, precisa se sentir bem para poder atender bem a população e desenvolver bem os seus serviços”, destaca Juliana Câmara.
Um projeto piloto voltado para a saúde mental dos professores começou este ano em algumas escolas do município.

“A gente sabe que a vida dos professores não é fácil. Quase todos os dias eles passam por algum nível de estresse. Então, toda a equipe do CTRH, de psicólogos e médicos, vai às escolas para fazer esses encontros, fazer essas escutas com os educadores. O ‘Cuidando de Quem Educa’ está sendo muito gratificante, tem uma ótima receptividade e, no ano que vem, a gente pretende ampliar o atendimento para outras escolas”, afirma Juliana.
A iniciativa parte do entendimento de que cuidar de quem trabalha diariamente pela população também é investir na qualidade do serviço público.
“Ele precisa estar bem, precisa estar saudável, se sentindo capacitado e atualizado para fazer a política pública acontecer com qualidade”,completa a coordenadora.
Neste Setembro Amarelo, a prefeitura reforça a importância da escuta, do acolhimento e da busca por ajuda. Porque, muitas vezes, uma conversa pode ser o primeiro passo para que alguém perceba que não precisa enfrentar tudo sozinho. (Com Ascom PMP)


