Sespa intensifica ações contra o sarampo no Pará

Uma equipe de técnicos da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) está em Afuá, no extremo norte da ilha do Marajó, para executar, em parceria com o Amapá, medidas de interrupção da circulação do vírus do sarampo na região, com fortalecimento dos sistemas de Vigilância e Atenção à Saúde.

As ações em Afuá começam na segunda-feira, 30, com capacitação de profissionais de saúde municipais para o protocolo de sarampo e reuniões entre equipes da Sespa e da Secretaria de Saúde de Afuá para definição do itinerário das buscas ativas por casos suspeitos e as barreiras vacinais, que seguirão de 31 de maio a 10 de junho.

O Pará ainda não tem casos confirmados de sarampo este ano, mas em Afuá já há seis ocorrências ainda sob suspeita e em fase de investigação. Daí a necessidade da ida da equipe técnica ao município, uma vez que é intenso o fluxo de pessoas deste com o Amapá, o que contribui para a transmissão do sarampo, já que o estado vizinho enfrenta um surto da doença, com mais de 300 casos confirmados só em 2022.

Entre os objetivos das ações da Sespa em Afuá estão intensificar a vacinação contra o sarampo e realizar a busca ativa de casos suspeitos e respectivos contatos na área afetada do município, bem como envolver as equipes de Saúde da Família e serviços de saúde locais nas ações de notificação, investigação e bloqueio oportunos.

“Com a articulação com o Amapá, vamos atuar no desencadeamento dessas ações de vacinação, de cobertura da primeira e segunda dose da tríplice viral e investigação de casos suspeitos para conter o avanço da doença ao restante do Pará, fortalecendo as ações de vigilância para seguirmos com erradicação do sarampo”, explica Daniele Nunes, diretora de Vigilância em Saúde da Sespa, em exercício.

A ação conjunta da Sespa também contará com  trabalho da vigilância sanitária, que montará barreiras sanitárias nos portos. “Por meio de abordagens com a população, vamos conscientizar quanto à importância da vacinação como medida eficaz de prevenção, pois precisamos agir de todas as formas para evitar que o vírus circule no município e as viagens são um ponto de risco, por isso essa decisão visa evitar possíveis contaminações”, explica a diretora de Vigilância Sanitária da Sespa, Milvea Carneiro.

Sinais e sintomas

O sarampo é uma doença infecciosa aguda viral transmitida pela tosse, fala, espirro ou respiração de pessoas doentes. O paciente deve procurar atendimento médico logo que apresentar os primeiros sinais e sintomas da doença, que são febre, tosse, coriza, conjuntivite e manchas vermelhas na pele. Todas as pessoas não vacinadas e que nunca adoeceram de sarampo são suscetíveis ao adoecimento, pois só a vacina garante a proteção. A vacina tríplice viral protege contra sarampo, rubéola e caxumba e está disponível nas salas de vacinação das unidades de saúde.

A pessoa com suspeita da doença deve procurar imediatamente atendimento médico para que seja feita a notificação do caso e a equipe de saúde possa agir para interromper a circulação do vírus entre as pessoas que tiveram contato com o doente.

A coordenadora da Divisão de Vigilância Epidemiológica da Sespa, Adriana Veras, ressalta que os casos suspeitos de sarampo têm que ser notificados até 24 horas após o atendimento, para que seja iniciado o protocolo da Vigilância Epidemiológica pelo município e Estado, que inclui diversas ações, como a busca ativa dos contatos não vacinados até 48 horas e o bloqueio vacinal independentemente se o caso é ou não confirmado até 72 horas após a notificação, entre outras.

“A orientação geral é que os médicos precisam estar atentos aos sinais e sintomas do sarampo e fazer a notificação imediata, para que seja possível bloquear a circulação do vírus e evitar que mais pessoas sejam contaminadas”, ressaltou a diretora.

Além da notificação, os profissionais devem coletar amostra para sorologia e biologia molecular no primeiro contato com o paciente e investigar imediatamente a ocorrência de outros casos suspeitos. Já as secretarias Municipais de Saúde, além da notificação aos Centros Regionais de Saúde da Sespa e à Vigilância Estadual, devem fazer a investigação oportuna dos casos notificados e divulgar à população as medidas preventivas ao sarampo, além de orientar sobre o atendimento médico em casos de sinais e sintomas.

No Pará, 4.832 casos de sarampo foram registrados em 2020. No ano seguinte, foram 116 casos confirmados.

Na campanha contra o sarampo em curso, a meta é vacinar contra o sarampo é 629.169 crianças. Até o momento foram vacinadas 104.523 crianças de 6 meses a 4 anos, o que corresponde a cerca de 16,61% da população alvo da campanha. A Sespa destaca que a aplicação de vacina é responsabilidade das secretarias municipais de saúde. (Portal Debate, com Agência Pará)

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