A aprovação da proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 ficou mais difícil no Senado após o resultado do primeiro turno das eleições de 2026. A avaliação é da líder do governo na Casa, senadora Teresa Leitão (PT-PE), que reconheceu nesta segunda-feira (5), o novo cenário político para a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC).
Segundo a senadora, o governo pretende manter a tramitação da proposta e cumprir o rito regimental como estratégia para pressionar os parlamentares a se posicionarem sobre o texto. “Está mais difícil aprovar”, afirmou Teresa Leitão, ao defender a continuidade das discussões.
A PEC prevê o fim do modelo em que o trabalhador cumpre seis dias consecutivos de trabalho para ter um dia de descanso. A proposta já passou pela Câmara dos Deputados e agora precisa avançar no Senado.
Cenário mudou após as eleições
O resultado das urnas alterou a correlação de forças no Senado. O PL terá 28 das 81 cadeiras da Casa a partir de 2027, tornando-se a maior bancada. A mudança aumentou as incertezas sobre a disposição dos senadores para acelerar a análise da PEC antes do segundo turno presidencial, marcado para 25 de outubro.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), havia programado três sessões de discussão da proposta para esta semana, a partir desta terça-feira (6). Pelo rito regimental, uma PEC precisa passar por cinco sessões de discussão antes de ser submetida à votação, salvo eventual acordo para alterar o calendário.
Para ser aprovada, uma emenda à Constituição precisa receber pelo menos 49 votos favoráveis em dois turnos no Senado.
Governo tenta manter pressão
Apesar das dificuldades apontadas pela própria base governista, o Palácio do Planalto afirma que pretende manter a proposta entre as prioridades do Congresso.
O ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou nesta segunda-feira que conversaria com Alcolumbre para tentar iniciar as discussões e votar a matéria ainda nesta semana.
Nos bastidores, porém, parlamentares governistas avaliam que o resultado eleitoral reduziu o espaço para acelerar a votação. A oposição também passou a ter maior capacidade de pressão sobre a tramitação da proposta.
Com o segundo turno presidencial marcado para 25 de outubro, a PEC do fim da escala 6×1 entra agora em uma disputa que mistura o debate sobre jornada de trabalho com a nova configuração política do Congresso.
Com informações do portal Globo


