MARABÁ, SUDESTE DO PARÁ – Com o objetivo de transformar as escolas em polos de conscientização e proteção, a Secretaria Municipal de Educação (Semed) realizou, durante todo o dia desta segunda-feira (13), o encontro formativo “Educação que Protege”. O evento, sediado na Igreja Batista da Lagoinha, no bairro Amapá, reuniu 500 profissionais, entre diretores, coordenadores pedagógicos e orientadores educacionais da zona urbana e rural.
A formação é fruto de uma parceria estratégica entre a Semed, a Secretaria de Assistência Social, Proteção e Assuntos Comunitários (Seaspac), Coordenadoria de Políticas Públicas para a Mulher e o Ministério Público. O foco principal foi o alinhamento do fluxograma de atendimento às vítimas e a atualização sobre as recentes mudanças na Lei Maria da Penha.
Pela manhã, a abertura trouxe palestras jurídicas e pedagógicas com foco na atualização da Lei Maria da Penha. Enquanto no período da tarde, voltou-se para a apresentação detalhada dos fluxogramas de atendimento. Os gestores foram orientados sobre como acionar os seguintes órgãos e serviços que compõem a rede de proteção: Coordenadoria Especial de Políticas Públicas para Mulheres; Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CRAM); Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Mulher; Procuradoria da Mulher na Câmara Municipal; Comissão da Mulher da Câmara Municipal; Patrulha Maria da Penha; Programa Pró-Mulher; ParáPaz; Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM); Delegacia Especializada no Atendimento à Criança e ao Adolescente (DEAM/DEACA).
De acordo com a Diretora Geral de Ensino, Conceição Filha, o encontro consolida orientações iniciadas em março, preparando as equipes gestoras para identificar demandas e seguir protocolos específicos. “Reunimos autoridades e educadores para discutir as atribuições de cada instituição. Queremos que as equipes se sintam instruídas para lidar com as demandas que surgem tanto na cidade quanto no campo”, afirmou.
A necessidade de atualização constante foi destacada por Francisca Daniele Rocha, coordenadora da Mulher. “As leis mudam e os índices de violência crescem. Como é difícil tirar o professor da sala de aula, capacitamos os gestores para que sejam multiplicadores. Eles levarão essa expertise jurídica para dentro das escolas, unindo-a à didática do professor para alcançar alunos e famílias”, explicou.

Para a secretária adjunta da Seaspac, Selma Barbosa, o papel da educação é preventivo e geracional. “Nosso desafio é formar cidadãos que saibam estabelecer limites e respeitar o próximo. Ninguém faz nada sozinho. Esse é um assunto multidisciplinar. Estamos unindo a base da educação com equipamentos como o CRAM (Centro de Referência de Atendimento à Mulher) para construir uma rede forte em Marabá”, pontuou.
Quem convive diariamente com a realidade das comunidades escolares reforça a importância do suporte técnico. Irlene Sampaio, diretora do NEI Tia Cleide, localizado no núcleo Morada Nova, relatou que a escola já é um ponto de apoio para mães em situação de vulnerabilidade.
“Acompanhamos relatos de violência e fazemos o acolhimento dessas mulheres, que muitas vezes são as mantenedoras do lar. A expectativa é que essa formação nos ajude a intensificar esse trabalho na periferia”, disse a diretora.
Rogério Moraes, orientador pedagógico da Escola Basílio Miguel, celebrou a oportunidade de levar novos conhecimentos para o cotidiano escolar. “Trabalhamos essa temática de sala em sala. O que ouvimos aqui hoje será levado diretamente para nossos espaços didáticos, fortalecendo o combate à violência através da educação”, concluiu. (Secom PMM)



