MARABÁ (PA)– A manhã desta quinta-feira (29), marcou o encerramento oficial da campanha Janeiro Branco em Marabá. O evento, realizado no auditório da Afya Faculdade de Ciências Médicas, na Nova Marabá, reuniu profissionais de saúde, gestores e a comunidade para refletir sobre a importância da saúde mental sob o lema de que “pausar também é produzir”.
A programação contou com palestras, rodas de debate e uma exposição artística emocionante com obras produzidas por pacientes da rede municipal. O objetivo central foi integrar as frentes de Educação, Assistência Social e Saúde para fortalecer a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) no município.
Um dos pontos altos do evento foi a valorização do servidor público. O assessor técnico da Secretaria de Saúde, Aumelino Ferreira, representou a secretária Lícia Souza e destacou que o bem-estar da população depende diretamente da saúde mental de quem presta o serviço.
Aumelino Ferreira, assessor técnico da Secretaria de Saúde
“Às vezes, no decorrer do dia, nos afazeres acabamos nos empenhando tanto e esquecendo um pouco de nós. E nós precisamos estar bem, principalmente mentalmente, porque, para darmos o melhor para a população como servidor público, precisamos estar bem”, pontua Aumelino.
Essa preocupação com o preparo emocional começa já na formação acadêmica. Janilton Júnior, professor do curso técnico em Enfermagem da Escola Grau Técnico, ressalta a importância da presença dos alunos no evento diante dos desafios do mundo moderno.
Janilton Júnior, professor do curso técnico em Enfermagem
“Vivemos em um mundo globalizado, em que a informação é muito rápida e isso muitas vezes desgasta a saúde mental. O profissional de saúde, ou futuro profissional, que se preocupa com isso tem um grande diferencial no tratamento dos pacientes. Esse desgaste é um dos fatores principais do afastamento das pessoas do trabalho, comprometendo a sociedade em geral”, afirma o professor.
Arte como terapia e ressocialização
O hall do auditório foi ocupado por quadros e pinturas produzidas por internos da Ala Psicossocial do Hospital Municipal de Marabá (HMM) e do Ambulatório Especializado em Saúde Mental (Ament). A exposição revelou o potencial terapêutico da arte no processo de cura.
Rosilene Cavalcante, coordenadora da Ala Psicossocial e Ament, explica que o trabalho segue os princípios da reforma psiquiátrica, focando na humanização e não apenas na medicação.
Rosilene Cavalcante, coordenadora da Ala Psicossocial e Ament
“Através da pintura eles expressam seus sentimentos. Trabalhamos as atividades terapêuticas que fortalecem vínculos e valorizam esse cuidado dentro do contexto da ressocialização, mostrando que eles têm capacidade e potenciais”, afirma.
A coordenadora de saúde mental, Paula Dhéssica Rabelo, reforçou que o sucesso da campanha permite que as ações se tornem permanentes.
“Janeiro Branco vai se estender durante todo o ano. Queremos levar para a população ações mais eficazes e que todos tenham a consciência de que também pausar é produzir”, destacou Paula.
Reflexão Histórica e Políticas Públicas
O enfermeiro João Augusto Miranda ministrou uma palestra sobre a evolução do atendimento no Brasil. Ele lembrou que, antes da Lei 10.216/2001, o tratamento era marcado pelo descaso e pelos manicômios.
Enfermeiro João Augusto Miranda
“A reforma psiquiátrica é a mudança de modelo assistencial. Com ela, conseguimos dizer não às internações de longa permanência e estabelecer os CAPS enquanto instrumentos de grande importância”, ressalta.
Encerrando as falas, a psicóloga e primeira-dama Lanúzia Lobo reafirma o compromisso da gestão municipal com a ampliação da rede de acolhimento e a prevenção através da psicoeducação.
Lanúzia Lobo, psicóloga e primeira-dama
“Se nós não cuidarmos de quem é responsável por essas relações acontecerem, que é o ser humano, a gente não vai conseguir ter relações saudáveis. O investimento na escuta, no acolhimento e na humanidade são políticas fundamentais reconhecidas nesta gestão”, finaliza Lanúzia.(Erika Marinho-Estagiaria, com Prefeitura de Marabá)


