Um estudo publicado em 02 de julho na revista científica JAMA Network Open encontrou uma associação entre alguns contraceptivos hormonais contendo progestagênios e um risco maior de desenvolver meningioma, o tumor mais comum das membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal.
A pesquisa analisou registros nacionais de saúde de 2,9 milhões de mulheres da Dinamarca, com idades entre 15 e 59 anos, acompanhadas entre 1996 e 2021. Ao longo do período, foram identificados 1.339 casos de meningioma, permitindo aos cientistas comparar a ocorrência do tumor entre usuárias e não usuárias de diferentes contraceptivos hormonais.
O que a pesquisa encontrou?
- O estudo analisou dados de 2,9 milhões de mulheres.
- O acompanhamento durou 25 anos, entre 1996 e 2021.
- Foram registrados 1.339 casos de meningioma.
- Alguns contraceptivos contendo progestagênios foram associados a um risco maior do tumor.
- O maior aumento foi observado entre usuárias de acetato de medroxiprogesterona injetável.
- O DIU de alta dose de levonorgestrel também apresentou associação com maior risco após uso prolongado.
- Em alguns métodos, o risco aumentou conforme o tempo de utilização.
- O estudo identificou uma associação, mas não comprovou que os contraceptivos causam o tumor.
- Os autores destacam que o risco absoluto continua baixo.
Na análise, o maior risco foi observado entre mulheres que utilizavam acetato de medroxiprogesterona injetável. Também foram encontradas associações com contraceptivos contendo desogestrel, drospirenona, gestodeno, levonorgestrel e ciproterona, além do DIU de alta dose de levonorgestrel, principalmente após períodos mais longos de uso.
Segundo os autores, em alguns métodos a associação ficou mais evidente entre usuárias atuais ou recentes e aumentou conforme o tempo de utilização.
O que é o meningioma?
O meningioma é um tumor que se desenvolve nas meninges, membranas que protegem o cérebro e a medula espinhal. Cerca de 90% dos casos são benignos, mas, dependendo da localização e do tamanho, pode provocar sintomas como;
- Dores de cabeça persistentes
- Alterações na visão
- Convulsões
- Perda de força em alguma parte do corpo.
O tratamento varia conforme cada caso e pode incluir apenas acompanhamento com exames periódicos ou procedimentos como cirurgia e radioterapia.
O que muda para quem usa contraceptivos?
Os autores reforçam que os resultados devem servir para orientar a escolha do método contraceptivo de forma individualizada, considerando os benefícios e os possíveis riscos de cada opção.
Por se tratar de uma pesquisa observacional, os resultados mostram uma associação entre alguns contraceptivos e o meningioma, mas não demonstram uma relação de causa e efeito.
Apesar do resultado, os pesquisadores destacam que o meningioma é raro, o risco absoluto permanece baixo e os dados não indicam que as mulheres devam interromper o uso do método por conta própria.
Por isso, a recomendação permanece a mesma: qualquer decisão sobre iniciar, trocar ou interromper um contraceptivo hormonal deve ser tomada junto ao ginecologista, após avaliação do histórico de saúde e das necessidades de cada mulher. (As informações são do Portal Metrópoles)


