A condenação de William Araújo Sousa pelo homicídio qualificado de Flávia Alves Bezerra gerou forte reação entre familiares da jovem e parte da sociedade marabaense. Apesar de os sete jurados terem reconhecido todas as qualificadoras apontadas pela acusação — afastando integralmente a tese defensiva — a pena de 17 anos, 10 meses e 16 dias de reclusão, além de seis meses de detenção, foi considerada branda pelos parentes da vítima e por representantes do Ministério Público. O sentimento predominante após o anúncio da sentença é o de injustiça.
A juíza presidente do Tribunal do Júri leu a sentença na madrugada desta terça-feira (18), logo após a votação unânime do conselho de sentença. A magistrada é conhecida, segundo relatos de familiares de vítimas e profissionais que acompanham julgamentos na cidade, por aplicar penas consideradas baixas em casos de feminicídio, o que reacendeu críticas sobre a condução do caso.
Mesmo com o reconhecimento do feminicídio, da ocultação do cadáver e da fraude processual, a pena fixada causou frustração entre os presentes. A acusação, conduzida pela promotora Cristine Magella e pelos assistentes Diego Souza e Arnaldo Ramos, afirmou que analisará medidas recursais por entender que a gravidade do crime justificaria uma punição mais elevada. Familiares de Flávia também declararam que esperavam maior rigor diante das circunstâncias do caso.
O julgamento ocorreu em sessão reservada, sem transmissão, e contou com o interrogatório de William, que confessou o crime e reproduziu a técnica de estrangulamento usada contra a vítima. O laudo do Instituto Médico Legal confirmou que Flávia morreu por asfixia decorrente de estrangulamento, informação destacada durante os debates em plenário.
A defesa, representada pela advogada Cristina Alves Longo, igualmente informou que recorrerá, alegando que a dosimetria da pena apresenta falhas. Já o Ministério Público avalia recorrer para buscar uma pena mais alta. Com a sentença publicada, o processo segue para a Vara de Execução Penal, que calculará o tempo já cumprido pelo condenado, enquanto a repercussão do caso continua mobilizando moradores e entidades de Marabá.e


