O Paysandu apresentou uma contestação formal à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) contra decisões tomadas na rodada decisiva do quadrangular da Série C do Campeonato Brasileiro de 2026. No documento, o clube questiona a interrupção e a retomada do confronto contra o Brusque, em Santa Catarina, além da paralisação simultânea da partida entre Ferroviária e Inter de Limeira, em Araraquara, São Paulo.
Um dos principais argumentos do Papão diz respeito às condições de segurança do estádio Augusto Bauer, onde o jogo contra o Brusque foi interrompido aos 47 minutos do primeiro tempo. Segundo a contestação, problemas na estrutura do setor destinado à torcida visitante e o risco relacionado a danos no local justificaram a paralisação. O clube defende que a situação deveria ter sido encaminhada ao STJD para apuração das responsabilidades, em vez de resultar apenas na suspensão temporária e na retomada da partida no dia seguinte, com portões fechados.
O Paysandu também pede que sejam apresentados laudos e documentos oficiais relacionados às condições do estádio e à decisão de interromper o confronto. A diretoria solicita a análise das responsabilidades dos envolvidos com base no Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), especialmente nos artigos 203 e 211, que tratam, respectivamente, de situações que provocam a não realização ou a suspensão de partidas e da falta de infraestrutura e segurança no local de um evento esportivo.
O clube argumenta que, caso seja comprovado que a falta de segurança foi responsabilidade exclusiva do Brusque, a situação deve ser examinada à luz dessas normas. Entre as medidas que o Paysandu não descarta pleitear está a vitória por W.O., a depender da apuração e do entendimento das instâncias desportivas competentes. A eventual aplicação de punições, no entanto, depende da análise dos fatos e de decisão dos órgãos responsáveis.
Outro ponto levantado pelo Papão é o impacto da retomada do jogo sem a presença de torcedores. De acordo com a manifestação, a torcida bicolor viajou do Pará a Santa Catarina e ocupou o setor visitante, apoiando a equipe durante a partida. O Paysandu sustenta que perdeu esse suporte na conclusão do confronto, embora não tenha provocado os problemas que levaram à interrupção.
A diretoria também questiona a diferença de tratamento entre os jogos da rodada. Enquanto Brusque e Paysandu foram obrigados a concluir a partida sem público, o confronto entre Ferroviária e Inter de Limeira teve autorização para receber torcedores, conforme aponta o documento. Para o clube paraense, a diferença compromete a igualdade de condições entre equipes que disputavam vagas de acesso à Série B.
O ofício ainda menciona os prejuízos enfrentados por torcedores que compraram ingressos e viajaram para acompanhar o jogo, além dos impactos logísticos e físicos provocados pela alteração na programação. Segundo o Paysandu, a delegação estava em Santa Catarina desde a quinta-feira e havia organizado a preparação dos atletas com base na data e no horário inicialmente previstos.
A contestação se estende à paralisação de Ferroviária e Inter de Limeira. O Paysandu afirma que o confronto em Araraquara transcorria normalmente, sem problemas de segurança, iluminação ou condições do gramado que justificassem a interrupção. O clube questiona se a exigência de simultaneidade dos jogos decisivos prevista no regulamento da Série C seria suficiente para fundamentar a paralisação de uma partida que não apresentava irregularidades próprias.
No documento, o Papão cita o artigo 41 do Regulamento Específico da Competição, que prevê a realização simultânea dos jogos da última rodada relacionados a disputas por acesso ou classificação. Também menciona o Manual de Competições da CBF, que estabelece hipóteses específicas para a interrupção de partidas em andamento, como falta de segurança, condições inadequadas do gramado ou ausência de iluminação apropriada.
O Paysandu informou que entrou em campo para concluir o confronto contra o Brusque sob protesto, com o objetivo de evitar possíveis sanções esportivas, mas afirma ter preservado o direito de contestar as decisões nas instâncias competentes. O encaminhamento do caso à CBF e ao STJD busca, segundo a posição apresentada pelo clube, esclarecer as circunstâncias das interrupções e avaliar eventuais responsabilidades. (Com Roma News)


