Motoboy é agredido por mototaxistas em Altamira após instalação de aplicativo de corridas

Os profissionais teriam feito um pedido pelo aplicativo forjando uma corrida para encontrar com o motociclista.

Um motoboy foi agredido por mototaxistas em Altamira, no sudoeste do Pará, após a instalação de um aplicativo de corridas. A confusão foi registrada por populares que estavam na Travessa Pedro Gomes. O vídeo mostra o motociclista cercado por pelo menos 10 mototaxistas, alguns deles empurram o rapaz. Os profissionais teriam feito um pedido pelo aplicativo forjando uma corrida para encontrar com o motociclista.

“Como eu falei que não iria descer da moto e nem parar, começou a agressão, começaram a me xingar e agredir, me tiraram da moto com violência. Chamei a Polícia Militar porque não queriam que eu saísse de lá, tive que tirar a chave da minha moto e só não quebrou nada porque eu segurei.”, afirma Yuri Henrique, vítima.

Yuri Henrique acionou a Polícia Militar que acabou com a confusão. Ele está há 10 anos trabalhando como motoboy e resolveu se cadastrar no aplicativo de corridas de moto, “Tô À Toa Mobi”, no último dia 2 de junho. Mesmo dia em que foi agredido. Yuri fez um boletim de ocorrências na Seccional Urbana de Altamira. Em fotos, ficaram os registros das agressões.

“Eu me senti humilhado, eu praticamente fui linchado, não tenho antecedentes criminais, nunca roubei, nunca me envolvi com nada de errado, quem me conhece sabe. Eu estava trabalhando como trabalho todo santo dia para levar sustento para minha família, minha esposa e filhos”, conta o motoboy.

O jornalismo da Vale do Xinguprocurou o Sindicato de Mototaxistas de Altamira (SINDIMOTO). O presidente disse que não aprovou as cenas de violência envolvendo os sindicalizados, mas afirmou que o aplicativo instalado recentemente para atender passageiros na cidade não seria legalizado.

“Muitas pessoas generalizando, a classe dos mototaxistas também tem pai de família, o que as pessoas têm que entender é que tanto o rapaz quanto os mototaxistas são trabalhadores, tudo isso por causa de um aplicativo que não é regularizado. Já havíamos comunicado inclusive com uma ATA, mas não tivemos retorno das autoridades e aconteceu o que aconteceu.”, afirmou Luiz Cardoso, presidente do Sindimoto.

Nas redes sociais, o perfil do aplicativo de corridas de moto, “Tô À Toa Mobi”, repudiou as “ações de vandalismo e intimidação ocorridas em 2 de junho”. O comunicado afirmou que o transporte privado por aplicativo é “regulamentado por diversas leis brasileiras”. Por fim, o aplicativo anunciou que recorrerá à justiça “para garantir os direitos de seus operadores e usuários”, e buscará uma “punição exemplar para os responsáveis pelo incidente”. Confira a nota na íntegra:

“Esclarecemos a toda a população que o aplicativo Tô À Toa Mobi analisa minuciosamente toda documentação de cada operador e documentos incorretos são rejeitados. Repudiamos veementemente as ações de vandalismo e tentativa de intimidação ocorridas neste domingo, dia 02 de junho.

Informamos que o transporte privado por aplicativo é regulamentado por ampla legislação brasileira, que vai desde a Constituição Federal, passando por Lei Federal, até Lei do próprio Município de Altamira.

Sendo assim, estaremos recorrendo à justiça para garantir aos operadores e usuários seus direitos e, paralelamente, buscando uma exemplar punição pecuniária aos dirigentes e integrantes das entidades envolvidos no ocorrido.”

Sobre a informação do Sindimoto de que o aplicativo não seria regulamentado, o entrou em contato com a prefeitura de Altamira para saber se o aplicativo foi autorizado pela prefeitura para atuar no município, e aguarda um posicionamento. (Com Confirma Notícia)

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