Mato Grosso, Pará e Maranhão foram os estados que mais registraram área queimada no Brasil ao longo dos últimos 40 anos, segundo a segunda edição do Relatório Anual do Fogo no Brasil, divulgado pelo MapBiomas. Juntos, os três estados concentram 47% de toda a área atingida pelo fogo no país entre 1985 e 2025.
Mato Grosso lidera o ranking histórico, com 45,1 milhões de hectares queimados no período. Pará aparece em seguida, com 31,6 milhões de hectares, e o Maranhão fecha o trio com 20,7 milhões de hectares.
O levantamento também mostra que, entre os municípios, São Félix do Xingu, no Pará, está entre os dois que mais acumulam área queimada no histórico do país — ao lado de Corumbá, no Mato Grosso do Sul. Juntos, apenas 15 municípios respondem por 11% de toda a área atingida pelo fogo no Brasil.
Amazônia recua, mas segue entre os biomas mais afetados
Boa parte do território de Mato Grosso e Pará está inserida no bioma Amazônia, que teve, em 2025, a menor área queimada dos últimos 41 anos: 3,1 milhões de hectares — queda expressiva após o pico histórico registrado em 2024, quando o bioma somou 15,8 milhões de hectares queimados, a maior marca da série.
Apesar da retração no último ano, a Amazônia segue entre os biomas com maior recorrência de incêndios. Segundo o relatório, 31,6% das áreas queimadas no bioma voltaram a pegar fogo em até dois anos — o menor intervalo de retorno entre todos os biomas analisados.
Para o pesquisador do MapBiomas Fogo Luiz Felipe Martenexen, esse padrão preocupa porque a vegetação amazônica não é adaptada ao fogo. Segundo ele, intervalos curtos entre os incêndios reduzem o tempo de recuperação da floresta, aumentam o risco de novos eventos mais intensos e podem comprometer progressivamente a regeneração da vegetação.
O relatório aponta ainda que, na Amazônia, o fogo ocorre predominantemente em áreas já modificadas pela ação humana, principalmente pastagens — diferente do que ocorre em biomas como Cerrado, Caatinga e Pantanal, onde mais de 80% da área queimada atinge vegetação nativa.
Em nível nacional, o Brasil queimou 12,7 milhões de hectares em 2025, uma redução de 31% em relação à média histórica de 18,4 milhões de hectares por ano — resultado puxado principalmente pela retração das queimadas na Amazônia.


