A presidência do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região (TRT-8), responsável pela Justiça do Trabalho no Pará e Amapá, passou a ser exercida a partir de hoje pela desembargadora Maria Valquíria Norat Coelho. A magistrada assumiu oficialmente o comando da Corte em ato solene realizado no final da manhã desta terça-feira (18), no Salão Nobre do Tribunal, em Belém, e permanecerá na função até 3 de novembro de 2026.
Maria Valquíria ocupava a vice-presidência do TRT-8 e chegou ao principal cargo da administração após a aposentadoria compulsória da desembargadora Sulamir Palmeira Monassa de Almeida. Com a mudança, a vice-presidência passou a ser exercida, conforme a regra regimental da Corte, pela desembargadora decana Rosita de Nazaré Sidrim Nassar.
A cerimônia reuniu desembargadores, juízes do Trabalho, servidores, familiares e representantes de instituições como Tribunal de Justiça do Pará (TJPA), Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e Ministério Público do Trabalho no Pará e Amapá (MPT).
Justiça Social e presença feminina
O procurador-chefe do MPT no Pará e Amapá, Hidelrado Machado, destacou a cooperação entre as instituições na defesa da Justiça Social e manifestou confiança na nova gestão. “Acreditamos que a doutora Valquíria, nesta nova gestão, irá exercer com grande competência e temos convicção que será uma grande administração”, afirmou.
A vice-presidente do TRT-8, desembargadora Rosita Nassar, ressaltou a presença feminina nos espaços de comando do Judiciário. “A gestão de mulheres demonstra que a mulher vem tomando cada vez mais espaços importantes de decisão, de direção, ficamos felizes por termos nossas expectativas sendo correspondidas”, declarou.
A assessora Diana Ferreira, que trabalha há 26 anos com Maria Valquíria, lembrou a experiência acumulada pela magistrada desde quando era titular da 6ª Vara do Trabalho de Belém. Segundo ela, a nova presidente conhece profundamente as necessidades administrativas e jurisdicionais da instituição, incluindo os desafios relacionados à Justiça itinerante, às determinações do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e ao cumprimento de metas.
50 Anos de Trajetória e Desafios Futuros
A posse também foi marcada pela emoção da nova presidente ao recordar uma trajetória de aproximadamente cinco décadas vinculada à Justiça do Trabalho. Maria Valquíria contou que a relação com a instituição começou em 1973, quando ainda era estudante e passou a estagiar com Ana Maria França Barros do Carmo.
“Nossa relação começou nos anos de 1973, quando comecei a estagiar. Fui arrebatada pelas audiências, pela celeridade, pelo trato dos servidores e pelas partes, pelos advogados e pelo processo em si”, relembrou.
Após concluir a graduação, em 1975, Maria Valquíria decidiu não seguir a advocacia. Em 1977, ingressou no próprio TRT-8 como servidora, no cargo então denominado Técnica Judiciária, correspondente atualmente ao de Analista Judiciário. Posteriormente, construiu carreira na magistratura trabalhista até chegar ao cargo de desembargadora.
Durante o pronunciamento, ela afirmou que a chegada à presidência representa um dos momentos mais significativos de sua vida profissional. “Esse momento coroa minha carreira. É um momento importante e vocês viram que eu tive uma trajetória muito grande e o que espero é sabedoria para julgar bem e para administrar o tribunal como um todo”, declarou.
Desafio na presidência
Embora assuma a administração na reta final do biênio, Maria Valquíria terá pela frente demandas administrativas e jurisdicionais da Justiça do Trabalho nos dois estados, incluindo o funcionamento das unidades, cumprimento de metas institucionais e atendimento à população em uma região marcada por grandes distâncias territoriais.
Ao resumir a relação construída com a instituição, a desembargadora destacou a escolha feita ainda no início da carreira. “Escolhi essa casa para ser a minha casa e deu tudo certo. Estou aqui há 50 anos muito feliz, fazendo a justiça para o povo”, concluiu a nova presidente do TRT-8. (Com Diário do Pará)


