Lula reajusta Bolsa Família em 15% a partir de outubro; veja quanto fica o benefício

O governo federal anunciou que o valor mínimo do Bolsa Família passará de R$ 600 para R$ 691 a partir da folha de outubro, um reajuste de 15,04%. O benefício médio também terá aumento, chegando a R$ 777.

Bolsa Família terá reajuste de 15,04% a partir da folha de outubro. O governo federal anunciou nesta quinta-feira (17) que o valor mínimo pago por família passará dos atuais R$ 600 para R$ 691, aumento de R$ 91. Já o benefício médio, hoje na faixa de R$ 675, deverá chegar a aproximadamente R$ 777. Segundo o Ministério do Planejamento, a correção considera a variação acumulada do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) desde o relançamento do programa.

Para quem recebe o benefício, a principal informação é que os pagamentos iniciados nesta quinta-feira (17) ainda seguem os valores anteriores. A mudança será incorporada somente à folha de outubro. Neste mês, 19,29 milhões de famílias estão sendo atendidas, com benefício médio de R$ 678,18, segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS).

Quanto o beneficiário vai receber?

O piso atual de R$ 600 terá acréscimo de R$ 91, chegando a R$ 691. Isso representa reajuste de 15,04%.

Já o valor médio projetado pelo governo sobe de aproximadamente R$ 675 para R$ 777, uma diferença de R$ 102. O montante efetivamente recebido por cada família, entretanto, continuará dependendo de sua composição e dos adicionais aos quais tenha direito.

Isso significa que R$ 691 será a referência mínima do programa, mas determinadas famílias poderão receber valores superiores devido aos benefícios complementares.

Adicionais continuam valendo

Além do piso, o Bolsa Família possui adicionais definidos de acordo com a composição familiar.

Pelas regras vigentes antes do anúncio desta quinta, há pagamento adicional de R$ 150 por criança de até 6 anos e de R$ 50 para gestantes e jovens de 7 a 18 anos incompletos. Bebês de até seis meses também geram adicional de R$ 50.

O valor final recebido, portanto, não é necessariamente igual para todas as famílias. Número de crianças, adolescentes, gestantes e bebês influencia o total depositado.

Novo valor começa em outubro

O reajuste não interfere na rodada de pagamentos de setembro, iniciada nesta quinta-feira.

Neste mês, o calendário começou pelo NIS final 1 e seguirá até 30 de setembro, quando recebem os beneficiários com NIS terminado em zero. O valor médio da folha atual é de R$ 678,18.

O novo piso de R$ 691 passa a valer na folha de outubro, cujo calendário oficial começa em 19 de outubro para o NIS final 1 e termina no dia 30 para o NIS final zero.

Veja o calendário de outubro

Com base no calendário oficial de 2026, os pagamentos de outubro serão feitos nas seguintes datas:

NIS final 1: 19 de outubro

NIS final 2: 20 de outubro

NIS final 3: 21 de outubro

NIS final 4: 22 de outubro

NIS final 5: 23 de outubro

NIS final 6: 26 de outubro

NIS final 7: 27 de outubro

NIS final 8: 28 de outubro

NIS final 9: 29 de outubro

NIS final 0: 30 de outubro

É nesse calendário que os beneficiários deverão perceber os efeitos do reajuste anunciado pelo governo.

Reajuste terá custo de R$ 5,8 bilhões em 2026

Segundo o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, a mudança terá impacto estimado de R$ 5,8 bilhões nas contas públicas ainda em 2026. Para 2027, a previsão é de aproximadamente R$ 22 bilhões adicionais.

O governo afirma que o reajuste corresponde à recomposição pelo INPC acumulado desde o relançamento do Bolsa Família e que a despesa deste ano será acomodada dentro das regras fiscais. Para 2027, Moretti afirmou que será necessário ajustar a proposta orçamentária já encaminhada ao Congresso.

O anúncio representa uma mudança em relação à proposta orçamentária enviada no fim de agosto. Na ocasião, o projeto do Orçamento de 2027 mantinha o piso em R$ 600 e reservava R$ 157,1 bilhões ao programa.

Anúncio ocorre a 17 dias da eleição

O aumento foi anunciado em 17 de setembro, a 17 dias do primeiro turno das eleições gerais de 2026, marcado para 4 de outubro. Lula disputa a reeleição. A proximidade entre o reajuste e a votação foi destacada na cobertura política e econômica do anúncio.

O governo afirma que a correção possui respaldo na legislação do programa e representa recomposição inflacionária. Moretti declarou que a atualização será acomodada dentro do espaço fiscal disponível.

O contexto tem precedente recente: em 2022, durante o governo Jair Bolsonaro e também em ano eleitoral, o então Auxílio Brasil teve o piso elevado de R$ 400 para R$ 600. O patamar de R$ 600 foi posteriormente mantido com a retomada do nome Bolsa Família no governo Lula.

Quem tem direito ao Bolsa Família?

Pelas regras atuais, a principal condição para ingresso no programa é que a renda mensal por pessoa da família seja de até R$ 218.

A família também precisa estar inscrita no Cadastro Único e manter as informações atualizadas. A inscrição no CadÚnico, entretanto, não significa concessão automática: o ingresso depende dos critérios e procedimentos do programa.

Os beneficiários também devem cumprir compromissos relacionados à saúde e à educação, incluindo frequência escolar de crianças e adolescentes, acompanhamento pré-natal das gestantes e atualização da vacinação.

Como consultar o novo valor?

Os beneficiários podem acompanhar situação, extrato e valores pelos aplicativos oficiais Bolsa Família e CAIXA Tem e pelo Portal Cidadão da Caixa.

Como o reajuste começa apenas em outubro, quem consultar a parcela de setembro ainda encontrará os valores correspondentes às regras anteriores.

Para informações sobre regras e cadastro, o MDS mantém atendimento pelo telefone 121. Questões relacionadas a pagamentos e saques podem ser consultadas pela Central de Atendimento da Caixa, no 111.

O que muda na prática?

Para uma família que recebe apenas o piso, a diferença direta será de R$ 91 por mês, passando de R$ 600 para R$ 691.

Já a média nacional projetada pelo governo deverá avançar cerca de R$ 102, de R$ 675 para R$ 777. O valor individual continuará variando conforme a composição e a situação de cada família.

A orientação para os beneficiários é acompanhar o extrato do programa quando a folha de outubro for disponibilizada. Nenhum procedimento adicional foi anunciado como necessário apenas para receber o reajuste; permanecem, contudo, as obrigações de manter o Cadastro Único atualizado e cumprir os critérios do Bolsa Família. (Com Diário do Pará)

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