‘Louvo a Deus por não estar com eles’, diz pastora lésbica sobre ataques após fundar igreja inclusiva

Rosania Rocha afirma que ameaças e mensagens de ódio não abalaram sua fé e reforça a missão de acolher pessoas LGBTQIAPN+ no meio religioso

A pastora e cantora gospel Rosania Rocha, de 53 anos, afirmou que os ataques recebidos desde a criação da igreja inclusiva Cidade de Refúgio não mudaram sua convicção religiosa. Casada com a pastora Lanna Holder, ela relatou que ainda é alvo frequente de críticas e mensagens ofensivas nas redes sociais, mas garante que prefere concentrar suas energias no trabalho desenvolvido pela comunidade.

“Enquanto isso, louvo a Deus por não estar no meio deles”, declarou em entrevista à Folha de S.Paulo, ao comentar as manifestações de ódio direcionadas ao casal.

Fundada há cerca de 15 anos, em São Paulo, a Cidade de Refúgio nasceu a partir da própria trajetória de Rosania e Lanna. Antes de assumirem o relacionamento, ambas viveram casamentos heterossexuais e constituíram família.

A história ganhou ainda mais repercussão por causa do passado de Lanna Holder, que durante anos percorreu igrejas evangélicas compartilhando testemunhos de que teria deixado de ser lésbica após participar de processos conhecidos como “cura gay”. O reencontro com sua sexualidade aconteceu depois que conheceu Rosania durante uma viagem aos Estados Unidos.

Segundo o casal, a relação começou como uma amizade, mas evoluiu para um vínculo amoroso. Elas afirmam que tentaram reprimir os sentimentos por um período, mas decidiram assumir o relacionamento após enfrentarem sofrimento emocional.

A decisão teve consequências imediatas. Rosania relata que, ao procurar orientação pastoral, sua situação se tornou conhecida entre lideranças religiosas. Após a separação do então marido, ela deixou a igreja que frequentava nos Estados Unidos, perdeu convites para apresentações musicais e precisou buscar outras formas de sustento.

Foi nesse contexto que, segundo elas, surgiu a proposta de criar uma comunidade voltada ao acolhimento de pessoas LGBTQIAPN+ que haviam se afastado da fé por experiências de rejeição em ambientes religiosos. Hoje, a Cidade de Refúgio reúne fiéis que buscam conciliar espiritualidade e diversidade. (Com Roma News)

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