Um idoso que fazia queixas frequentes à delegacia de Polícia Civil de Soure, no Arquipélago do Marajó, para denunciar supostas ameaças de seus vizinhos num conjunto de kitnets, terminou indiciado por racismo. No decorrer da investigação, os investigadores descobriram que em vez de vítima, ele era o agressor e agora vai responder criminalmente.
A presença do idoso na delegacia se tornou frequente entre os meses de julho e setembro. Ele alegava que sofria ameaças e agressões de um vizinho. Como a polícia não encontrou materialidade para indiciar o vizinho denunciado, o idoso procurou a Defensoria Pública do Estado para reclamar do trabalho policial.
Diante de ofício da Defensoria, a equipe do delegado Caio Versiani retomou a investigação e foi até as kitnets fazer as oitivas. Foi nesta fase que o caso teve uma reviravolta: os policiais descobriram que o idoso não era a vítima e que, ao contrário, era o agressor ao praticar o crime de racismo. Ele chamava os vizinhos de “preto fedido”, “preto sujo” e dizia que “a polícia tem que matar vocês”, além de colocar apelidos de cunho racista.
Aos policiais, o idoso manteve a versão de que ele era a vítima. Mesmo assim ele foi indiciado por injúria racial e racismo. A polícia também pediu uma medida cautelar ao Poder Judiciário para garantir o afastamento do suspeito da vizinhança.


