A greve nacional dos bancários ganhou corpo nesta semana e deve provocar fechamento parcial de agências em diferentes estados do Brasil a partir desta sexta-feira (4). Enquanto algumas bases já aprovaram paralisação por tempo indeterminado, outras realizam assembleias entre quinta (3) e sexta (4) para votar as propostas da Campanha Nacional dos Bancários 2026 e definir se cruzam os braços.
Em Mato Grosso do Sul, o movimento ainda está em fase de deliberação. Sindicatos da categoria no Estado têm convocado assembleias para analisar a proposta da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) e dos bancos públicos, e a tendência é que a decisão sobre adesão à greve seja tomada ao longo desta sexta ou no início da próxima semana, dependendo do calendário local de votações.
Até o momento, não há confirmação oficial de que MS já esteja em greve; a orientação é que bancários acompanhem os comunicados do sindicato local e os resultados das assembleias para saber se haverá paralisação e em quais instituições.
O que reivindicam os bancários
A campanha salarial dos bancários em 2026 discute principalmente:
-Reajuste salarial real acima da inflação;
-Aumento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR);
-Reajuste de vale-alimentação e vale-refeição;
-Manutenção de empregos e políticas de contratação;
-Melhores condições de trabalho, com metas menos abusivas, redução de sobrecarga e proteção contra assédio;
-Cláusulas específicas para funcionários de bancos públicos (Caixa, Banco do Brasil, Banco do Nordeste, Banco da Amazônia etc.).
A Fenaban ofereceu reposição integral da inflação medida pelo INPC, mais 0,6% de aumento real em 2026 e novamente em 2027, estendendo o percentual a outras verbas econômicas, como PLR, vales e pisos. Sindicatos de várias regiões consideram a proposta insuficiente e recomendaram rejeição em assembleias, o que abriu caminho para as greves.
Estados que já confirmaram greve
Até esta sexta-feira (04/09), o mapa da paralisação inclui ao menos três estados com greve aprovada:
Pará: bancários de bancos públicos e privados (exceto Banpará) aprovaram greve por tempo indeterminado a partir de 0h de sexta-feira (4), com mais de 90% de apoio em votação. A paralisação pode afetar o atendimento presencial nas agências a partir desta data.
Rio Grande do Norte: a categoria rejeitou a proposta dos bancos e aprovou greve por tempo indeterminado com início na terça-feira (8). Uma nova assembleia estava marcada para sexta (4) para organizar detalhes do movimento.
Maranhão: inicialmente prevista para 2 de setembro, a greve foi remarcada para 8 de setembro, com o objetivo de unificar a paralisação com outras bases. O sindicato confirma a rejeição às propostas da Fenaban e dos bancos públicos.
Há ainda a possibilidade de novas adesões após as votações desta semana.
Estados em votação e sob risco de paralisação
Diversas bases realizam assembleias entre quinta (3) e sexta (4) e podem ampliar o movimento:
Espírito Santo: a categoria já está em “estado de greve” desde 28 de agosto. Bancários participam de assembleias para avaliar a proposta da Fenaban e, no caso da Caixa, fazem votação específica. Há orientação sindical para rejeitar a proposta da Caixa, com possibilidade de greve dos empregados da Caixa a partir de 10 de setembro, caso o movimento seja aprovado.
Bahia: plenária e votação ocorrem entre quinta e sexta. A orientação é aprovar a proposta geral da Fenaban, mas rejeitar as propostas específicas de Caixa, Banco do Brasil e Banco do Nordeste, o que pode gerar greves pontuais nesses bancos mesmo se o acordo geral for aceito. Em Irecê (BA), há previsão de início da paralisação em 8 de setembro, caso as propostas sejam rejeitadas.
Nordeste e outras regiões: assembleias confirmadas em Alagoas, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Sergipe, além de bases em São Paulo (como Bauru) e Santa Catarina (Joinville e região), onde a categoria pode aprovar paralisação ou greve caso rejeite as propostas.
Como fica o atendimento nas agências
Mesmo nos estados com greve aprovada, o fechamento total das agências não é automático. O impacto depende da adesão dos funcionários em cada banco e unidade. Assim, é possível que em uma mesma cidade algumas agências funcionem parcialmente e outras fiquem fechadas.
Durante a greve, canais digitais, aplicativos, Pix, caixas eletrônicos e outros serviços automatizados tendem a permanecer disponíveis. O atendimento presencial, no entanto, é o mais afetado, principalmente nas regiões onde a greve por tempo indeterminado já está confirmada.
A greve também não suspende automaticamente o vencimento de boletos, parcelas de financiamento, cartões, tributos ou contas de consumo; os prazos continuam valendo, e os clientes devem ficar atentos para evitar juros e multas.
Próximos passos e o que esperar
O cenário da greve pode mudar rapidamente conforme os resultados das assembleias desta sexta. Se novas bases rejeitarem as propostas e aprovarem paralisações, o movimento deve alcançar mais estados e bancos na próxima semana, especialmente a partir de 8 de setembro, quando começam as greves no RN e no MA, e possivelmente em outras localidades.
Em Mato Grosso do Sul, bancários devem acompanhar as convocações do sindicato local e os resultados das votações para saber se o Estado aderirá à greve, em quais instituições e a partir de qual data.


