Faepa alerta para risco de colapso na produção de sementes de cacau no Pará

O documento pede medidas urgentes para evitar prejuízos à cadeia produtiva do cacau no estado, atualmente o maior produtor do país.

O possível enfraquecimento das atividades da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira, a CEPLAC, acendeu um sinal de alerta no setor agropecuário do Pará. A preocupação foi formalizada pelo presidente do Sistema FAEPA/SENAR, Carlos Xavier, em ofício enviado ao ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula.

O documento pede medidas urgentes para evitar prejuízos à cadeia produtiva do cacau no estado, atualmente o maior produtor do país.

Segundo a Federação, o contingenciamento orçamentário imposto pelo Governo Federal vem comprometendo diretamente a capacidade operacional da CEPLAC no Pará, principalmente nas estações experimentais responsáveis pela produção de sementes híbridas de cacau, consideradas fundamentais para a expansão sustentável da cultura na Amazônia.

O temor do setor é que a redução das atividades provoque perdas milionárias de sementes e comprometa as metas previstas para 2026. A estimativa era produzir e distribuir cerca de 13,5 milhões de sementes híbridas no próximo ano, número que agora corre risco de não ser alcançado.

A produção de cacau no Pará se tornou referência nacional graças ao modelo baseado em sustentabilidade, tecnologia e cultivo em Sistemas Agroflorestais (SAFs).

O avanço do setor é atribuído, em parte, ao Programa de Desenvolvimento Rural Sustentável das Regiões Produtoras de Cacau (PROCACAU/PA), financiado pelo FUNCACAU e executado tecnicamente pela CEPLAC, com apoio da Câmara Setorial do Cacau e do Sistema FAEPA/SENAR.

De acordo com a entidade, a falta de recursos ameaça atividades consideradas essenciais para a manutenção da cadeia produtiva, como manejo, colheita, beneficiamento, transporte, ensacamento e distribuição das sementes.

O impacto pode atingir diretamente produtores rurais e a indústria brasileira do chocolate, que depende da oferta contínua de matéria-prima produzida no Pará.

Outro ponto considerado crítico é o risco de perdas irreversíveis no Banco Ativo de Germoplasma de Cacau da CEPLAC, patrimônio genético construído ao longo de mais de 40 anos e considerado estratégico para pesquisas, inovação e preservação das variedades do cacau brasileiro.

Em nota, o Sistema FAEPA/SENAR afirmou que defender a permanência e o fortalecimento da CEPLAC significa proteger empregos, renda no campo e o modelo de desenvolvimento sustentável que consolidou o Pará como protagonista da cacauicultura nacional. (Com Diário do Pará)

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