Estudantes são investigados por suposta lista sexual com nomes e fotos de mulheres no Pará

A Polícia Civil informou que o caso é apurado sob sigilo pela Diretoria Estadual de Combate à Crimes Cibernéticos (DECCC)

Estudantes de instituições particulares de ensino superior de Belém estão sendo investigados pela Polícia Civil do Pará após a suposta criação e circulação de uma lista com nomes e fotografias de mais de 60 mulheres, algumas delas que seriam adolescentes. Um dos estudantes envolvidos seria aluno do curso de Medicina.

A relação teria sido elaborada e compartilhada entre estudantes por meio de grupos virtuais e trazia avaliações de cunho sexual sobre as mulheres. Entre as categorias utilizadas na suposta lista estavam termos como “casável”. As classificações eram acompanhadas de nomes e fotos das mulheres, conforme informações apuradas pela reportagem do Grupo Liberal.

Estudante registra boletim de ocorrência

A situação também foi comunicada à Polícia Civil por um dos estudantes que teve contato com o caso. Bruno Cesar Drian Lima Maia registrou um Boletim de Ocorrência (BO) na Delegacia Virtual da Polícia Civil do Pará, na quarta-feira (26), classificando a ocorrência como difamação.

No documento, Bruno relata que, no último dia 25 de junho, estava em um ambiente virtual com amigos quando teria tomado conhecimento da criação de uma lista com fotografias de mulheres.

Segundo o relato registrado no BO, entre as pessoas citadas estariam mulheres conhecidas da faculdade e de escolas de ensino médio. O estudante afirma que advertiu um dos integrantes do grupo sobre a conduta e suas possíveis consequências.

Ainda de acordo com Bruno, mesmo após a advertência, o estudante teria criado outra lista. No boletim, ele relata que “o referido indivíduo montou a lista utilizando fotos de dezenas de perfis do Instagram dessas mulheres”.

Bruno afirma ainda que voltou a advertir o estudante. Segundo o relato, ele teria percebido posteriormente que, entre as imagens utilizadas, estavam os perfis de duas primas.

“Imediatamente adverti Zeno de Lucas de que não deveria adotar tal conduta”, diz o estudante no boletim de ocorrência.

O estudante relata que voltou a questionar a situação após identificar as imagens das familiares e afirma ter se sentido prejudicado no ambiente acadêmico. No BO, Bruno declara ter passado a se sentir “injustamente ameaçado e discriminado”. BO.

Envolvido diz que contribuiu com material para lista, mas não criou conteúdo

Um dos estudantes citados no caso, Zeno de Lucas Almeida Ribeiro, apresentou uma versão sobre a participação dele na criação da lista que expunha mulheres e fazia avaliações de cunho sexual.

Em publicações nas redes sociais, Zeno afirmou que Bruno Drian Lima e Jean Vitor não participaram da criação da imagem, apesar de estarem sendo associados à produção do material.

Zeno, no entanto, reconheceu que teve participação na elaboração do conteúdo. Em uma das publicações, afirmou que “dei contribuição dando ideia e imagem das pessoas pra construir aquela merda na qual eu tô muito arrependido”.

Na mesma publicação, declarou que assume a responsabilidade pela própria participação e pediu que pessoas que, segundo ele, não tiveram envolvimento não fossem responsabilizadas.

Em outra publicação, o estudante afirmou que apenas forneceu as imagens que eram solicitadas e que se arrepende da conduta. Também declarou que ameaças contra ele não contribuiriam para a situação.

Zeno também alegou que a pessoa que teria dado a ideia e criado a situação não estaria sendo exposta porque, segundo ele, o nome desse indivíduo não seria tão conhecido quanto o dele. Nas publicações, contudo, ele não identifica quem seria o responsável pela criação do material.

Em nota, a Polícia Civil informa informou que o caso é apurado sob sigilo pela Diretoria Estadual de Combate à Crimes Cibernéticos (DECCC). (Com Oliberal)

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