O Tribunal do Júri de Belém condenou, na madrugada desta sexta-feira (28), o empresário Noypablo Seboray Ferreira de Souza Soberay a 15 anos de prisão pela tentativa de feminicídio contra a própria esposa, Andrea Lopes da Costa. O julgamento começou na quinta-feira (27), no Fórum Criminal de Belém, e terminou durante a madrugada.
Os jurados reconheceram, por maioria dos votos, que Noypablo foi o autor dos atos executórios para matar a esposa. Como a vítima sobreviveu, o crime não chegou a ser consumado por circunstâncias alheias à vontade do acusado.
A pena foi fixada em 15 anos de reclusão, em regime inicial fechado.
Crime teria sido planejado por dinheiro
O caso aconteceu em 17 de novembro de 2024, em Belém. Segundo as investigações apresentadas durante o julgamento, o empresário teria planejado a morte da esposa com a ajuda de Anna Paula Cabral Batista, com quem mantinha um relacionamento extraconjugal.
A acusação sustentou que a motivação seria financeira. O objetivo, conforme a tese apresentada pelo Ministério Público e pela assistência de acusação, seria permitir que o empresário ficasse com recursos e patrimônio ligados à esposa, incluindo a empresa.
Durante o julgamento, o promotor de Justiça Nadilson Portilho Gomes sustentou que o acusado teria utilizado diferentes estratégias para tentar provocar a morte da vítima.
Medicamentos e gás de cozinha
Uma das estratégias apontadas pela acusação envolveu a administração de medicamentos para deixar Andrea sonolenta. A intenção, segundo o Ministério Público, seria fazer com que ela perdesse a capacidade de conduzir o veículo e sofresse um acidente.
Outra tentativa teria envolvido gás de cozinha colocado no porta-malas do carro da vítima, em uma ação que, segundo a acusação, buscava simular um acidente.
Apesar das tentativas, Andrea sobreviveu.
O caso começou a ser investigado pela Polícia Civil. Durante o júri, a delegada Ana Paula Corrêa, responsável pelo início do inquérito policial, prestou informações aos jurados sobre a investigação.
Cúmplice foi absolvida
Anna Paula Cabral Batista, apontada como cúmplice do empresário, também foi julgada pelo Tribunal do Júri.
Durante o interrogatório, ela afirmou que acreditava que ficaria com Noypablo depois que ele resolvesse a separação com a então esposa.
A defesa de Anna Paula pediu a absolvição por insuficiência de provas. Também apresentou aos jurados a possibilidade de reconhecimento de uma participação menor no crime e, diante de eventual dúvida sobre a autoria, a aplicação do princípio do in dubio pro reo, segundo o qual a dúvida deve favorecer o réu.
Ao final, os jurados absolveram Anna Paula por maioria dos votos, entendendo que não ficou comprovada a autoria dela no crime.
Defesa negou autoria
Os advogados de Noypablo sustentaram durante o julgamento as teses de negativa de autoria e insuficiência de provas.
A acusação, por outro lado, defendeu que o empresário participou diretamente do planejamento e da execução das ações destinadas a matar a esposa.
Ao final da sessão, os jurados reconheceram a autoria do empresário na tentativa de feminicídio. Com a decisão, Noypablo foi condenado a 15 anos de reclusão, em regime inicial fechado.
O julgamento foi encerrado durante a madrugada desta sexta-feira (28), no Fórum Criminal de Belém.


