Empresa Buriti é responsável pelo abastecimento de água no Cidade Jardim, em Marabá

Buriti acumula processos na Justiça em várias cidades Brasil afora pelos mais diversos problemas em seus loteamentos, entre eles está a falta de água.
Loteamento Cidade Jardim - Foto: Reprodução

MARABÁ (PA) – A crise no abastecimento de água do loteamento Cidade Jardim, em Marabá, voltou a provocar reclamações e protesto de moradores com interdição da BR-230 e levantou questionamentos sobre quem é responsável por garantir água nas torneiras das residências.

Segundo informações apresentadas ao Portal Debate, a responsabilidade pela infraestrutura de abastecimento permanece relacionada à loteadora Buriti Empreendimentos, enquanto o Serviço de Saneamento Ambiental de Marabá (SSAM) atua emergencialmente com carros-pipa. A própria empresa Buriti apresenta em seu site oficial o Cidade Jardim de Marabá entre seus empreendimentos.

Problema se arrasta há anos

As reclamações não são recentes. Moradores relatam que, em 2020, teria ocorrido uma tentativa de transferência do sistema de abastecimento para antiga Companhia de Saneamento do Pará (Cosanpa), mas a estrutura não teria sido incorporada pela autarquia.

Em setembro de 2024, uma reunião promovida pelo Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) para discutir o fornecimento de água potável terminou sem solução definitiva. Participaram representantes dos moradores, SSAM, Cosanpa e Buriti Empreendimentos, então identificada como administradora do loteamento.

O problema também chegou aos órgãos municipais. Documento publicado no Diário Oficial dos Municípios em 2025 menciona expressamente a Recomendação Ministerial nº 004/2024-MP/7ªPJ/MAB, relacionada ao Cidade Jardim e à situação da infraestrutura do Residencial.

Moradores acumulam reclamações

As denúncias sobre falta de água atravessaram diferentes anos. Há registros públicos de moradores reclamando de interrupções prolongadas no abastecimento e problemas de infraestrutura no Cidade Jardim.

Em janeiro de 2026, por exemplo, uma reclamação pública afirmou que o loteamento enfrentava falta crônica de água e que o abastecimento era realizado por poços e reservatórios implantados no empreendimento. Em resposta posterior, a empresa informou que as questões estavam sendo acompanhadas pelos órgãos competentes e que prestaria os esclarecimentos nos canais institucionais relacionados às demandas em tramitação.

Em outra reclamação, de dezembro de 2025, a Buriti sustentou posição diferente: afirmou que, depois da conclusão e entrega das obras, a manutenção dos equipamentos públicos e a prestação de serviços essenciais passariam a ser responsabilidade do município e/ou das concessionárias competentes, porém essa informação não procede, porque o loteamento é particular.

Portanto, existe divergência pública entre a posição manifestada pela empresa e o entendimento apresentado pelo poder público municipal sobre a responsabilidade pela solução definitiva. Como diz o ditado popular: “Quem pariu Mateus que balance”, neste caso a empresa Buriti, não o Governo do Pará e Prefeitura de Marabá.

Prefeitura envia 100 mil litros por semana

Em nota encaminhada ao Portal Debate, o Serviço de Saneamento Ambiental de Marabá (SSAM) informou que realiza semanalmente o fornecimento emergencial de 100 mil litros de água potável ao Cidade Jardim.

Segundo a autarquia municipal, são enviados dois carros-pipa diariamente, que abastecem os reservatórios do empreendimento. A distribuição da água aos imóveis é feita a partir dessa estrutura.

A SSAM afirma que a medida atende à Recomendação Ministerial nº 004/2024-MP/7ªPJMAB e a decisão provisória proferida na Ação Civil Pública nº 0802963-86.2026.8.14.0028, em tramitação na Vara de Fazenda Pública da Comarca de Marabá.

Ainda conforme a Prefeitura, a ação discute a adequação definitiva das obras de infraestrutura de abastecimento. A SSAM sustenta que essa responsabilidade cabe à empresa loteadora.

A nota municipal também reproduz entendimento atribuído ao Ministério Público de que o sistema de poços existente no Cidade Jardim é insuficiente para atender uma população em crescimento, resultando em abastecimento irregular.

Prefeitura diz que atuação é emergencial

O Município ressalta que a entrega de água por carros-pipa não representa uma solução definitiva para o Cidade Jardim. A SSAM afirma atuar emergencialmente para reduzir os efeitos da falta de água enquanto permanece a discussão sobre a infraestrutura necessária para garantir abastecimento regular aos moradores.

O caso, portanto, não surgiu com a atual estrutura estadual de saneamento. As reclamações e discussões institucionais envolvendo o abastecimento do Cidade Jardim são anteriores e já envolviam moradores, Buriti, Prefeitura, Cosanpa e Ministério Público há vários anos. Para piorar a situação, a empresa continua vendendo lotes a alguns desavisados sobre o problema crônico de falta d’água.

O Portal Debate continuará acompanhando a Ação Civil Pública e os desdobramentos envolvendo a Buriti Empreendimentos, o Ministério Público e os moradores do Cidade Jardim. A Buriti Empreendimentos deve ter espaço assegurado para apresentar sua versão sobre a responsabilidade pelo sistema, as condições da infraestrutura instalada e as medidas adotadas ou previstas para solucionar definitivamente o problema. (Pedro Souza)

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