A corrida de rua vem conquistando cada vez mais espaço entre os brasileiros e também aparece em alta no calendário esportivo de Santa Catarina. Um levantamento da plataforma Baixa Pace reúne 263 provas previstas ou realizadas no estado ao longo de 2026, até dezembro.
O crescimento da modalidade ac9ompanha uma expansão observada em todo o país. Dados da ChronoMAX, obtidos a partir de resultados oficiais de provas, contabilizaram 11,9 milhões de resultados em corridas de rua realizadas no Brasil entre 2023 e 2025, distribuídos em 9.803 eventos. Na Região Sul, foram cerca de 2 milhões de concluintes em mais de dois mil eventos no período.
Além dos benefícios para o condicionamento físico, a prática regular de exercícios também pode contribuir para a saúde mental. Durante o Setembro Amarelo, período de conscientização e prevenção do suicídio, a discussão sobre atividades que promovem bem-estar ganha espaço como parte de uma abordagem mais ampla sobre qualidade de vida.
Segundo a psiquiatra Andrea Cristina Galastri, docente do Instituto de Educação Médica (IDOMED), existe uma relação comprovada entre atividade física e saúde mental. A prática regular pode auxiliar no equilíbrio do humor, na redução da ansiedade e na melhora da qualidade do sono.
“Vários estudos já comprovam que quem pratica alguma atividade física, seja ela qual for, tem muito benefício em equilibrar humor, equilibrar ansiedade, melhorar qualidade de sono. Então, a relação é muito direta e comprovável”, afirma.
O que acontece no organismo durante a corrida
Entre as modalidades mais estudadas estão as atividades aeróbicas, como corrida, ciclismo e caminhada. De acordo com a especialista, além de favorecerem a criação de uma rotina saudável, esses exercícios estão relacionados à liberação de substâncias que participam da regulação do humor.
“Para transtornos de humor no geral, as atividades aeróbicas são as mais indicadas. Fazem com que a pessoa crie uma rotina saudável e libere endorfina”, explica Andrea.
Durante o exercício, também ocorre a ação de neurotransmissores como dopamina e serotonina, associados a sensações de prazer, energia e bem-estar. A atividade física ainda estimula a liberação de miocinas pelos músculos, substâncias que podem atuar no cérebro e participar de processos relacionados à saúde cerebral.
“A miocina, que é liberada pelo músculo durante o exercício, age diretamente no cérebro. Ela vai promover, por exemplo, a liberação de BDNF, que é o fator neurotrófico derivado do cérebro, que estimula a neuroplasticidade, estimula a criação de sinapses cerebrais e dá uma revitalizada no cérebro”, detalha a psiquiatra.
Exercício também pode melhorar o sono
Os efeitos da prática regular podem se refletir em outros aspectos da rotina. A atividade física pode ajudar no equilíbrio do ciclo de sono e vigília e contribuir para uma noite de descanso mais regular.
“Alguém que faz frequentemente uma atividade ao longo da semana acaba tendo um equilíbrio no ciclo circadiano, ciclo de sono e vigília, então acaba dormindo melhor”, explica Andrea.
A especialista também destaca a relação entre exercício e regulação do cortisol, hormônio ligado à resposta do organismo ao estresse.
Corrida também cria vínculos
Para além dos efeitos no organismo, a corrida pode proporcionar momentos de convivência e fortalecer relações sociais. Participar de grupos, encontrar amigos e compartilhar objetivos são aspectos que também podem contribuir para o bem-estar.
“Fazer parte de um grupo, ser aceito, ter quem convidar para um churrasquinho, para um cinema importa. A atividade física, o esporte, é uma boa forma de aproximar as pessoas e criar vínculos”, afirma.
A percepção de evolução também pode ajudar na manutenção do hábito. Alcançar objetivos e perceber mudanças ao longo do tempo pode gerar uma sensação de conquista e estimular a continuidade da prática.
“A conquista vem do orgulho, de a gente reconhecer que está fazendo bem, de conseguir os benefícios que estava procurando. Então, é claro que a sensação de que está dando certo nos estimula a continuar”, pontua.
Começar aos poucos é importante
Para quem ainda não pratica exercícios, a orientação é evitar metas difíceis de manter. A Organização Mundial da Saúde recomenda 150 minutos de atividade física por semana, mas a construção desse hábito pode acontecer de forma gradual.
“Eu sempre proponho que quem não tem hábito comece com metas realistas. Então, imaginar que vai para a academia todo dia, cinco vezes por semana, a pessoa não vai. Colocar uma meta de duas vezes por semana já está bom. Vai começar a caminhar? Não tem que caminhar uma hora”, orienta a psiquiatra.
O equilíbrio também deve ser observado. A atividade física pode deixar de ser benéfica quando passa a provocar culpa, sofrimento ou interfere excessivamente na vida social e em outras atividades.
“A vida sempre é equilíbrio. Tudo que é demais faz mal, até atividade física. Quando a pessoa passa a sentir realmente essa culpa de não treinar, acha que fez muito pouco ou perde compromissos sociais por causa do treino, pode indicar problemas maiores”, alerta Andrea.
Setembro Amarelo
Para a especialista, falar sobre esporte durante o Setembro Amarelo também é uma forma de ampliar a conversa sobre saúde mental, destacando práticas que podem favorecer o bem-estar, a convivência e hábitos mais saudáveis.
“O esporte é um caminho para o bem-estar, é um caminho para compartilhar a vida, compartilhar alegria, conhecer pessoas novas, criar hábitos de vida saudável. Então, falar de esporte em Setembro Amarelo, eu acho que é fundamental”, conclui. (Com informações do Jornal da Franca)


