Chegou a hora de desmontar o “palanque”, fazer a transição de governo e trabalhar pelo povo do Pará

A nova gestão, chefiada pelo governador eleito Daniel Santos, deverá solicitar imediatamente o início do processo de transição e montar sua equipe de primeiro e segundo escalões com o objetivo de melhorar a vida da população.

MARABÁ (PA) – Encerrada a disputa pelo Governo do Pará, com a eleição de Daniel Santos (Podemos), neste domingo (4), chegou também o momento de desmontar os “palanques eleitorais. A campanha acabou. Agora, vencedores e derrotados precisam compreender que o interesse dos mais de 8 milhões de paraenses deve estar acima das divergências políticas.

A governadora Hana Ghassan (MDB), derrotada nas urnas, e o grupo político liderado pelo ex-governador Helder Barbalho (MDB) têm papel importante nesse processo. A transição de governo precisa ocorrer de maneira democrática, transparente e republicana, permitindo que o novo governo conheça as contas, os programas em andamento e os principais desafios do Estado do Pará.

O ciclo político liderado por Helder deixa realizações que precisam ser reconhecidas. Entre elas estão os avanços na educação e na valorização de seus profissionais, investimentos na saúde e construção de hospitais, ampliação da segurança pública e implantação das Usinas da Paz, que concentram dezenas de serviços gratuitos. O Pará também ganhou projeção internacional com a realização da COP30, além de registrar iniciativas voltadas à redução do desmatamento, geração de emprego e renda. Ainda assim, soberanamente, o eleitor decidiu pela mudança talvez pelo chamado “cansaço” político.

Daniel Santos assumirá diante de um cenário político que exigirá capacidade de diálogo e articulação. A frente que apoiou Hana Ghassan conquistou 12 das 17 cadeiras do Pará na Câmara dos Deputados em Brasília (DF) e 29 das 41 vagas da Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa). No Senado, Beto Faro (PT), Helder Barbalho (MDB) e Chicão (União Brasil) formam a representação paraense na chamada “Casa Alta” . Portanto, governar exigirá articulação, respeito às instituições e construção de pontes com forças políticas que estiveram no lado adversário da eleição do novo governador.

É hora também de Daniel começar a montar sua equipe e escolher secretários preparados para administrar um Estado continental e marcado por profundas desigualdades regionais. Sua administração não poderá ser “meia boca”, sob o risco de frustrar rapidamente a expectativa de mudança demonstrada nas urnas e de ser “enxotado do Palácio dos Despachos” em 2030.

O novo governo terá ainda a responsabilidade de cumprir os compromissos apresentados durante a campanha, trabalhar pela redução da polarização social, respeitar a imprensa — inclusive os veículos identificados com a oposição —, preservar as instituições e “zelar pela nossa combalida democracia”. Também deverá “frear os arroubos dos radicais bolsonaristas da extrema direita do Pará”, sem transformar divergências políticas em perseguição ou intolerância.

A eleição terminou. Agora não existem paraenses vencedores e derrotados. Existe um Estado que precisa continuar funcionando. Daniel Santos terá quatro anos para mostrar que a mudança escolhida nas urnas pode melhorar a vida da população. E a oposição terá o dever democrático de fiscalizar, cobrar e, quando os interesses do Pará estiverem em jogo, também contribuir. Chega de troca de farpas pelas redes sociais.

Daniel deverá “abrir os olhos” com os chamados “100 dias de governo”, pois ele obteve votos de todos os nichos ideológicos, ou seja, vieram votos da direita, centro e esquerda, porque o presidente Lula obteve 49,51% dos votos contra 44,50% de Flávio Bolsonaro e a expectativa positiva poderá se transformar em críticas caso termine logo o conhecido “namoro” que ocorre em todo início de governo. (Pedro Souza)

Daniel Santos – Foto: Reprodução

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