Calor intenso e poluição elevam risco de AVC em idosos, indica pesquisa

A pesquisa considerou ondas de calor períodos de pelo menos dois dias consecutivos com temperaturas máximas de 33,1 °C ou superiores.

Um estudo da Universidade de São Paulo (USP) identificou uma associação entre ondas de calor, poluição do ar e aumento do risco de acidente vascular cerebral (AVC)em pessoas com 65 anos ou mais na capital paulista.

A pesquisa considerou ondas de calor períodos de pelo menos dois dias consecutivos com temperaturas máximas de 33,1 °C ou superiores. Os resultados indicam que a combinação de calor intenso com poluição por partículas PM10 está associada a um aumento de 40,4% no risco de AVC por dia adicional de exposição.

Os dados foram apresentados pela pesquisadora Alessandra Carvalho Goulart, da Faculdade de Medicina da USP, durante a FAPESP Week Países Baixos.

O estudo analisou 769 pessoas diagnosticadas com AVC agudo. Segundo Goulart, o calor intenso pode provocar desidratação e alterações cardiovasculares, afetando a circulação sanguínea.

Exercícios físicos ajudam a proteger o cérebro

Outra pesquisa da USP, realizada com participantes do Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (ELSA-Brasil), identificou benefícios da atividade física para a saúde cerebral.

Os resultados apontaram que cada aumento de 10 pontos no índice de saúde cardiovascular Life’s Essential 8 esteve associado a uma redução de 14% na chance de desenvolver lesões graves nos pequenos vasos cerebrais.

Em outra análise, níveis moderados a elevados de atividade física foram associados a uma redução de 21% a 22% no risco de alterações relacionadas à doença de pequenos vasos cerebrais, condição ligada ao declínio cognitivo e à demência.

A prática de exercícios também foi associada à preservação do córtex entorrinal, região cerebral relacionada à memória e à orientação espacial. Para Goulart, os resultados reforçam a importância dos cuidados cardiovasculares e da atividade física para preservar a saúde cerebral, especialmente diante do envelhecimento da população e dos impactos das mudanças climáticas.

USP investiga efeito do lítio contra Alzheimer

Pesquisadores da USP também estudam há mais de 20 anos o potencial neuroprotetor do lítio no tratamento da doença de Alzheimer. Ensaios clínicos conduzidos pelo grupo do professor Orestes Forlenza indicaram que doses reduzidas da substância podem ajudar a estabilizar perdas de memória e raciocínio em pacientes com comprometimento cognitivo leve.

Experimentos com animais também apontaram efeitos sobre processos biológicos associados à doença, como a redução do acúmulo de placas tóxicas no cérebro. Segundo Forlenza, os resultados sugerem potencial para modificar o curso da doença, mas as pesquisas seguem em andamento. (Com Oliberal)

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