Benedito Ruy Barbosa, autor de ‘O Rei do Gado’, morre aos 95 anos em São Paulo

Criador de clássicos inesquecíveis, o dramaturgo deixa um legado imenso para a teledramaturgia brasileira após lutar contra problemas renais.

O mundo das novelas ficou mais triste nesta terça-feira (7). O escritor e novelista Benedito Ruy Barbosa faleceu aos 95 anos em São Paulo. Ele estava internado no HCor (Hospital do Coração) e não resistiu a complicações causadas por uma insuficiência renal crônica, uma condição com a qual vinha lutando há três anos e que já havia motivado outras internações recentes. A notícia foi confirmada pela equipe médica do hospital logo pela manhã.

Benedito foi o responsável por moldar a identidade da TV brasileira com histórias que paravam o país. Suas tramas eram marcadas pelo cheiro de terra molhada, romances arrebatadores e pelas sagas de imigrantes que ajudaram a construir o Brasil. Ao longo de mais de 50 anos de carreira, ele assinou obras-primas como Terra Nostra, Renascer, O Rei do Gado e Pantanal, produções que marcaram gerações e continuam vivas na memória do público, inclusive através de remakes recentes de grande sucesso.

Da infância difícil ao topo da teledramaturgia

Nascido em 1931 na pequena Gália, no interior paulista, Benedito cresceu cercado por cafezais na vizinha Vera Cruz. Foi ali, convivendo de perto com colônias de italianos e japoneses, que ele colheu a matéria-prima para as suas futuras novelas. A vida, porém, lhe impôs desafios cedo: aos 29 anos, seu pai faleceu, e o jovem Benedito precisou trabalhar como auxiliar de contabilidade, feirante e até faxineiro de banco para ajudar a sustentar a mãe e os quatro irmãos mais novos.

Sua mente inquieta logo encontrou refúgio nas palavras. Antes de se consagrar na televisão, ele trabalhou como jornalista e revisor em grandes jornais paulistas e foi no Paraná que encontrou inspiração para seu primeiro romance, Fogo Frio, que mais tarde virou peça de teatro. A estreia nas novelas aconteceu na década de 1960, na extinta TV Tupi, mas foi na TV Globo, a partir dos anos 1970, que seu talento explodiu.

O criador de universos apaixonantes

Benedito Ruy Barbosa tinha uma fórmula muito clara: “Antes de mais nada, uma novela precisa ter uma grande história de amor”, defendia. E ele entregou isso como ninguém. Quem não se lembra da paixão avassaladora de Matteo e Giuliana em Terra Nostra?

Mesmo enfrentando a censura da ditadura militar em sua estreia global com Meu Pedacinho de Chão (1971), ele não deixou de retratar o Brasil profundo. Vieram então sucessos em sequência: Cabocla, Sinhá Moça, A Sombra dos Laranjais e, mais tarde, o fenômeno Pantanal (exibido originalmente na TV Manchete em 1990). Sua última obra inédita na TV foi a poética Velho Chico, em 2016.

O Legado Continua

Embora estivesse aposentado da escrita nos últimos anos, a dinastia de Benedito na TV segue firme. Seus passos foram seguidos pelas filhas Edmara e Edilene Barbosa, e pelo neto Bruno Luperi, que foi o responsável por escrever as novas e elogiadas versões de Pantanal (2022) e Renascer (2024) para o horário nobre da Globo.

Benedito Ruy Barbosa parte deixando o país órfão de sua narrativa poética e realista, mas sua obra permanece eternizada como um espelho da cultura e da alma brasileira. (Com Roma News)

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