Áudios obtidos no celular de Cléber Azevedo dos Santos, ligado ao PCC, revelam uma extensa rede de pagamento de propinas. As gravações detalham um esquema de lavagem de dinheiro operado por doleiros no país. A Polícia Federal encontrou 59 áudios que foram encaminhados ao GAECO do Ministério Público de São Paulo.
Com base nessas provas, o GAECO, a PF e a Corregedoria da Polícia Civil deflagraram a Operação Bazaar em março. A ação mirou um esquema de corrupção sistêmico, incluindo lavagem de dinheiro. O envolvimento abrangia quatro delegacias e uma divisão de três departamentos da Polícia Civil de São Paulo.
Na ocasião, 25 mandados de busca e apreensão foram cumpridos. Além disso, foram emitidos 11 mandados de prisão e seis de intimação. As medidas cautelares atingiram membros da organização criminosa, advogados e policiais envolvidos.
Operações Bazaar e Janus
As provas da Operação Bazaar ajudaram a compor a Operação Janus, que resultou em 18 decretações de prisão. Onze acusados foram capturados na terça-feira, e outros dois já estavam detidos. O GAECO afirma que os áudios evidenciam a atuação dos investigados como agentes de promoção e financiamento da facção.
O Ministério Público de São Paulo indica que parte dos interlocutores são integrantes e lideranças efetivas do PCC. O Estadão teve acesso a parte dessas conversas. Uma delas envolve o advogado Guilherme Sacomano Nasser.
Segundo o GAECO, Nasser concorreu para oferecer uma vantagem indevida de R$ 100 mil a policiais. O propósito era obstar investigações contra pessoas jurídicas ligadas ao grupo criminoso. Esse grupo era integrado por Cléber Santos, Robson Martins de Souza e Paulo Rogério Dias, o Paulo Barão.
A propina teria sido oferecida aos policiais José Eduardo da Silva e Ciro Borges de Magalhães Ferraz. O Gaeco aponta que os agentes deixaram de apurar condutas ilícitas. Estas condutas foram identificadas na análise dos relatórios de inteligência financeira (RIFs) requisitados ao Coaf. O Estadão não conseguiu contato com Nasser nem com a defesa dos outros citados na investigação.
Elos com a Polícia Militar
A Operação Janus também reuniu indícios de que operadores financeiros do PCC mantinham relações de proximidade. Eles teriam amizade com coronéis que integraram a cúpula da PM de São Paulo. São citados Luiz Carlos Pereira Martins e José Augusto Coutinho.
Coutinho foi ex-comandante-geral da PM e da Rota, além de um “Patrício”. O comando da PM, ao ser procurado, ressaltou ter participado da operação junto com o Ministério Público. Os integrantes da antiga cúpula da PM, citados na investigação, não foram alvo da operação.
Coutinho pediu demissão e foi exonerado do cargo em 16 de abril. A decisão veio após reunião com o governador Tarcísio de Freitas. O encontro tratou de um depoimento do promotor Lincoln Gakiya à Corregedoria da PM.
Gakiya afirmou ter levado a Coutinho um áudio. Este áudio provava que PMs da Rota venderam informações ao PCC. Segundo o promotor, Coutinho não tomou providências. O Estadão solicitou manifestação dos coronéis citados na matéria.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.


