MARABÁ (PA) — Edimones Matos da Silva, apontado como o último sobrevivente ligado ao emblemático “Caso Casa da Pizza”, morreu durante uma operação integrada das forças de segurança realizada na madrugada de segunda-feira (11), na comunidade Araipá, no município de Aveiro, no oeste do Pará. O caso trouxe novamente à memória um dos crimes mais violentos e marcantes da história policial de Marabá, registrado há cerca de 22 anos.
Segundo informações das forças de segurança, Edimones Silva integrava um grupo suspeito de ligação com facções criminosas e utilizava documento falso no momento da operação. A ação contou com policiais militares do CPR X, 15º BPM, 1ª CIME, além de agentes da Polícia Civil e apoio da 17ª CIPM.
De acordo com a polícia, as equipes saíram de Itaituba durante a madrugada e seguiram por via fluvial até a comunidade Araipá, alvo de investigações relacionadas à atuação de integrantes de organizações criminosas na região. Ao chegarem ao imóvel monitorado pelo serviço de inteligência, os policiais teriam sido recebidos a tiros, dando início ao confronto.
Além de Edimones, outros dois homens conhecidos pelos apelidos de “Artilheiro” e “Japinha” morreram durante a troca de tiros. Um quarto suspeito conseguiu fugir para uma área de mata e não foi localizado até o momento.

Durante a operação, as equipes apreenderam uma pistola calibre .380, uma espingarda calibre .32, um rifle calibre .22, munições de diversos calibres, quatro celulares, uma balança de precisão e dois rádios comunicadores.
Segundo informações obtidas pelo Portal Debate, Edimones estava foragido do sistema prisional desde dezembro de 2025. Ele havia saído temporariamente de uma unidade prisional em Belém para o período natalino, mas não retornou. Ainda conforme relatos apurados pela reportagem, ele cumpria pena há aproximadamente 15 anos.
O nome de Edimones voltou a repercutir devido à ligação dele com o chamado “Caso Casa da Pizza”, crime ocorrido em Marabá e que causou grande comoção na cidade pela extrema violência empregada pelos criminosos.
O assalto aconteceu em uma pizzaria bastante conhecida da cidade e terminou com a morte de um vigilante, além do estupro de uma adolescente diante de familiares. O episódio ficou marcado na memória da população marabaense pela brutalidade da ação criminosa, ocorrida no antigo setor das madeireiras, em uma área localizada em frente ao Aeroporto de Marabá, no Núcleo Cidade Nova.
Em 2020, outro desdobramento do caso ganhou repercussão após a prisão dos irmãos Marcos da Conceição da Silva e James da Conceição da Silva. Conforme divulgado na época, James era apontado como um dos autores do ataque à pizzaria. Ambos haviam fugido do Centro de Recuperação Agrícola Mariano Antunes (Crama), em Marabá, no ano de 2018.
Marcos foi recapturado no Bairro Jardim União, em Marabá, enquanto escondia o irmão, localizado posteriormente em Imperatriz, no Maranhão. Segundo informações policiais divulgadas na época, os dois utilizavam documentos falsos e respondiam por crimes de latrocínio e homicídio na região sudeste do Pará.
Agora, com a morte de Edimones durante a operação em Aveiro, o caso volta a ganhar repercussão em Marabá devido ao entendimento de que ele seria o último integrante vivo ligado diretamente ao crime que chocou a cidade no início dos anos 2000.
De acordo com informações enviadas à reportagem, o corpo do bandido chegaria a Marabá, por volta de 8h desta sexta-feira (15), e familiares deverão realizar o sepultamento de Edimones Silva, no Cemitério da Saudade, localizado no Bairro Cabelo Seco, no núcleo Velha Marabá, sem o tradicional velório para evitar represálias. (Portal Debate)


