O advogado José Luiz de Araújo Mindello Neto, conselheiro seccional da OAB-PA e presidente da Comissão de Direito Previdenciário da entidade, se pronunciou publicamente sobre a prisão ocorrida no último domingo (12), em Salinópolis, no nordeste do Pará. Em um vídeo divulgado nas redes sociais na quarta-feira (15), ele rebateu as acusações divulgadas sobre o caso, afirmou que vem sendo alvo de um “linchamento moral” e negou ter resistido à prisão.
Segundo José Luiz, o episódio aconteceu na Praia do Atalaia, quando ele realizava uma manobra de ré com o carro e teria atingido uma mulher. O advogado afirmou que, apesar de a suposta vítima não apresentar ferimentos graves, ofereceu ajuda imediatamente e se dispôs a levá-la para atendimento médico.
Ele também relatou que, durante o deslocamento, foi agredido pelo marido da mulher e que o veículo acabou sendo abordado em uma blitz. Na ocasião, disse ter informado aos agentes que estava justamente prestando socorro à vítima.
No vídeo, o advogado afirmou que a situação mudou após descobrir que a mulher era policial militar. Segundo ele, o delegado Heráclito Freire Gomes Neto passou a agir de forma abusiva durante a condução da ocorrência. José Luiz alega que foi jogado ao chão, algemado com as mãos para trás e permaneceu por cerca de 36 horas em uma cela comum. Ele também negou ter oferecido qualquer resistência à prisão e afirmou que apenas buscava o respeito às prerrogativas garantidas aos advogados.
As declarações foram rebatidas pelo Sindicato dos Servidores Públicos da Polícia Civil do Pará (Sindpol). Em nota, a entidade afirmou que os policiais envolvidos atuaram dentro da legalidade e sustentou que o advogado teria atropelado um casal de policiais militares, deixado o local da ocorrência e sido localizado posteriormente por agentes do Detran. O sindicato também afirma que José Luiz resistiu ao cumprimento da prisão ao se recusar a entrar na cela.
O advogado reconheceu que existe um inquérito policial em andamento e afirmou que responderá às acusações dentro do devido processo legal. Ao mesmo tempo, anunciou que pretende responsabilizar judicialmente o delegado e os demais agentes envolvidos, acusando-os de abuso de autoridade, violência e prevaricação. Ele também informou que buscará medidas contra perfis e páginas que, segundo ele, divulgaram informações falsas sobre o caso.
A prisão ganhou repercussão após a OAB-PA divulgar uma nota em defesa das prerrogativas da advocacia, enquanto o Sindpol manifestou apoio à atuação da Polícia Civil. O caso continua sendo investigado.


