A inclusão no céu. Foi com esse slogan que a advogada e cadeirante Nancy Segadilha, 35 anos, fez um salto de paraquedas na tarde de ontem (13), em Manaus. A iniciativa pessoal teve como foco chamar a atenção da sociedade quanto aos direitos das pessoas com deficiência. Segundo a Escola de Paraquedismo, esta foi a primeira vez no Amazonas, que uma pessoa tetraplégica fez algo do tipo.

A data do salto não foi escolhida à toa. Isso porque hoje é comemorado o Dia Mundial de Conscientização do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). O que para Nancy, que é cadeirante há mais de 10 anos, foi um motivo mais que especial para o salto.

“Eu defendo essa causa. Eu vivo a deficiência. Saltar de paraquedas foi um desfio feito por uma amiga e eu topei. De imediato minhas amigas disseram que eu não ando, mas consigo voar. E hoje a inclusão esteve no céu”, comemorou, animada.

Na escola de paraquedismo, a advogada, acompanhada de familiares e colegas, recebeu instruções junto com duas amigas, que aceitaram o desafio e saltaram junto com Nancy. Uma delas, a também advogada Leyla Yurtsever, foi quem desafiou Segadilha a saltar.

“A Nancy estava lançando uma campanha e falei que ela não precisa de pernas se tem asas para voar. Então, chamei ela para saltar de paraquedas. O ato, que tem a proposta de chamar atenção, tem um significado grande para mim também, pois além de ser amiga dela, sou uma advogada, que luta pelos direitos dos menos favorecidos”, afirmou.

O instrutor de Nancy, o paraquedista Stanley Willian, comentou sobre a iniciativa e explicou que todas as pessoas podem saltar. “Quando ela nos procurou, foi uma surpresa. Já saltei com tetraplégicos, mas igual a ela ainda não teve no Brasil. Na condição dela, não conseguimos fazer de qualquer jeito, tem que ser com pessoas mais experientes. É um salto especial, com representatividade”, completou.

A Crítica