Advogada se pronuncia a respeito de “treta” com jornalista nas redes sociais de Marabá

Eliane Oliveira defende uma influenciadora digital com suposta participação na jogatina, conhecida como “Jogo do Tigre”. O caso ganhou grande repercussão nas redes sociais, nesta terça-feira (5/12).
Foto: Reprodução

MARABÁ (PA) – Na manhã desta terça-feira (5), o jornalista Vinícius Soares, editor do Portal Debate há 6 anos, publicou a matéria Polícia e MP investigam influenciadoras envolvidas com “Jogo do Tigre” em Marabá, provocou um verdadeiro “rebuliço” nas redes sociais e envolveu até a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), na cidade de Marabá, na região sudeste do Estado do Pará.

Diante da repercussão da matéria, uma das influenciadoras supostamente envolvida com o chamado “Jogo do Tigre”, acompanhada da advogada, identificada como Eliane Oliveira, gravara um vídeo em frente a uma Delegacia de Polícia Civil de Marabá, onde exibiram para a câmera uma folha de papel que seria uma certidão negativa junto à Justiça. Esta cena foi a “gota d’água” para a causídica ser bastante criticada nas redes sociais.

Durante sua fala, no vídeo, Eliane Oliveira afirmou que sua cliente é uma pessoa idônea, não sofre nenhuma investigação por parte do Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) e pela Polícia Civil de Marabá. A advogada exibiu a certidão negativa de sua cliente e deixou a entender, ao longo do dia, através de postagens em suas redes sociais que a matéria seria inverídica e sem fundamentação fática.

Ao tomar conhecimento da treta nas redes sociais, envolvendo seu nome, o jornalista Vinícius Soares fez uma séria de postagens em seu perfil pessoal no Instagram, onde reafirmou a veracidade da denúncia e questionou a estratégia de defesa da advogada, mas sem citá-la nominalmente, pois uma certidão negativa não se refere a um inquérito policial devido ao fato das investigações ainda estarem em andamento.

O caso foi parar na Ordem dos Advogados do Brasil, Subseção Marabá, onde o advogado, Dr. Rodrigo Botelho, presidente, Dr. Diego Souza e Dr. Júlio Neto, ambos membros da Comissão de Segurança Pública da OAB, “costuraram” um acordo para que a advogada Eliane Oliveira pudesse publicar no Portal Debate sua versão sobre a confusão com o jornalista Vinícius Soares e o atendimento a sua cliente influenciadora digital.

Embora a treta tenha ocorrido nas redes sociais pessoais do jornalista Vinícius Soares, portanto fora de seu ambiente profissional, e nas redes sociais da advogada Eliane Oliveira, a gerência do Portal Debate, em respeito ao papel da OAB Marabá em defesa de seus filiados, decidiu publicar a nota de esclarecimento abaixo. LEIA:

NOTA DE ESCLARECIMENTO

Eliane Oliveira, advogada, vem oferecer direito de resposta em face de matéria jornalística publicada pelo Portal Debate, no dia 05/12/2023, sobre supostas investigações contra influencers digitais. Inicialmente, esclarecemos que não há investigação em trâmite sobre este assunto no município de Marabá.

Nesse sentido, considero que os comentários realizados pelo jornalista Vinicius Soares acerca da minha prestação de serviços advocatícios foram depreciativos, e não colaboram com a verdade dos fatos. Lamento que a busca pela verdade tenha tido efeitos de negativação profissional, sem qualquer direito ao contraditório.

As certidões negativas são documentos oficiais, emitidos por órgãos de regulação do Poder Judiciário, e tem fé pública para comprovar a trajetória de qualquer cidadão em nosso território.

“Jogo do Tigre”

A jogatina, nominada como “Jogo do Tigre”, vem lesando o bolso de seguidores diversos de influenciadores digitais Brasil afora. O crime é tratado pela Polícia Civil como “jogo de azar”, “formação de quadrilha” e “lavagem de dinheiro”. No último domingo (3), a Rede Globo, por meio do programa Fantástico, exibiu uma reportagem com a prisão dos influenciadores digitais identificados como Eduardo Campelo, Gabriel, Ezequiel e Ricardo, no Estado do Paraná.

Eles foram contratados por uma plataforma de jogos ilegais, conhecida como “Jogo do Tigrinho”, para fazer propaganda. Os suspeitos ostentavam vida de luxo nas redes sociais. Os influenciadores tinham cerca de 1 milhão de seguidores e ganhavam entre 5 mil e 15 mil por uma campanha de 7 dias. O caso é semelhante ao ocorrido em Marabá.

Considerado ilegal no Brasil, o Fortune Tiger, ou “Jogo do Tigre”, é um cassino online famoso, mas que tem levado muitas pessoas a grandes prejuízos financeiros. No Estado do Maranhão, o número de prejudicados e os ganhos obtidos por influencers levou a Polícia Civil a realizar uma operação que está investigando o game por indícios de pirâmide financeira, além de outros crimes. As confusões e prisões devido ao “Jogo do Tigre” se multiplicam por todo o país.

“Jogo do Tigre” em Marabá

Ao contrário do que afirmou uma reportagem publicada por um jornal da cidade, na tarde desta terça-feira (5), negando o teor da matéria “Polícia e MP investigam influenciadoras envolvidas com “Jogo do Tigre” em Marabá”, o jornalista Vinícius Soares reafirmou que a denúncia constando o nome das influenciadoras digitais de Marabá foi protocolada no Ministério Público (MPPA) e, posteriormente, foi encaminhada para a Polícia Civil para investigação das suspeitas sim.

Eu, “conversando aqui com meus botões”, conhecendo o papel investigativo do Ministério Público, cheguei a conclusão de que, caso não houvesse uma investigação em andamento, como o alegado, o MPPA tem a obrigação constitucional de abrir uma “notícia de fato” para, a partir deste imbróglio nas redes sociais, analisar a conduta dos envolvidos no esquema, pois os estelionatos praticados através do “Jogo do Tigre” se alastram pelo país, atingem milhares de “jogadores desavisados” e chegaram à cidade de Marabá, há meses.

A partir da denúncia oriunda de uma fonte segura, durante a elaboração da matéria, Vinícius Soares teve o cuidado de acessar os perfis nas redes sociais das supostas envolvidas na celeuma e retirar os print’s. Diante da imensa repercussão em Marabá, “Pero que sí, pero que no”, o “Jogo do Tigre” foi apagado dos perfis das suspeitas ou as contas foram tornadas privadas, nesta terça-feira (5).

Como diz o ditado popular: “Quem não deve, não teme”. Deixem o Ministério Público e a Polícia Civil cumprirem seu papel social. Não vamos tentar ganhar o jogo no grito ou antes do apito do árbitro da partida. Essa prática nunca funcionou em lugar nenhum do mundo. “O golpe está aí. Cai quem quer”.  (Pedro Souza/Portal Debate)

Jogo do Tigre: influenciadores são presos no PR; motoboy ficou milionário e chamou atenção da polícia - Folha do Acre
Os presos, Eduardo Campelo, Gabriel, Ezequiel e Ricardo, pela Polícia Civil do Paraná.

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