O ex-banqueiro Daniel Vorcaro teria articulado o acesso a fundos de pensão de estatais federais para captar cerca de R$ 10 bilhões para o Banco Master. Segundo reportagem da revista Veja, publicada nesta semana, relatos atribuídos a Vorcaro apontam que R$ 1 bilhão do montante seria destinado a pagamentos de propina a um grupo ligado ao PT em troca da facilitação das negociações.
Entre os nomes citados está o do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que à época atuava na Secretaria de Relações Institucionais. Os relatos também mencionam Olavo Noleto, então secretário-executivo da pasta, e um operador identificado como Júlio, que teria acesso ao gabinete do ministro. As suspeitas envolvem possíveis contatos com fundos de previdência de funcionários da Petrobras (Petros), dos Correios (Postalis), da Caixa Econômica Federal (Funcef) e do Banco do Brasil (Previ).
De acordo com a publicação, a Polícia Federal encontrou no celular de Vorcaro mais de 450 mensagens e cerca de 180 ligações com o operador. A reportagem também cita um áudio de maio de 2024 no qual o ex-banqueiro conversa sobre o agendamento de uma reunião com o presidente da Petros.
Negativas e questionamentos
Padilha negou ter defendido interesses do Banco Master e informou que acionou a Justiça para solicitar direito de resposta. Olavo Noleto também negou irregularidades. A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a assessoria do partido rejeitaram as acusações.
Segundo as informações divulgadas, os relatos constam em um anexo que teria sido rejeitado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por falta de provas. A Polícia Federal e a PGR afirmaram que o material publicado não integra os autos, conforme a reportagem.
A publicação também menciona declarações atribuídas a Vorcaro sobre o financiamento de um documentário relacionado a Lula. No áudio divulgado, o ex-banqueiro teria afirmado que o pagamento ocorreu de maneira irregular. O relato menciona R$ 30 milhões em espécie para a produção, mas as informações apresentadas não comprovam, por si só, a existência de crime ou a participação dos nomes citados no suposto esquema.
Vorcaro está preso desde março de 2026, e o Banco Master foi liquidado. As acusações relatadas pela revista ainda dependem de apuração e não representam comprovação de responsabilidade criminal dos envolvidos. (Com Roma News)


