A pesquisa da AtlasIntel que colocou a governadora Hana Ghassan na liderança da corrida pelo governo do Pará entrou numa nova etapa: depois de o Ministério Público Eleitoral (MPE) emitir parecer favorável ao instituto, cabe agora ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) decidir se mantém a liminar que suspendeu a divulgação do levantamento ou se acolhe a manifestação da Procuradoria Regional Eleitoral e libera a pesquisa.
Levantamento recebeu parecer favorável do MPE, mas decisão final cabe ao TRE, que até ontem não havia se manifestado/Fotos/ Divulgação.Na disputa pelo Senado, Helder Barbalho aparece com 27,6% dos votos válidos, seguido por Éder Mauro, com 21,2%, Zequinha Marinho, com 16,8%, e Celso Sabino, em quarto lugar. O levantamento foi contratado pela Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Pará (Faciapa), por R$ 60 mil.
A liminar
A divulgação da pesquisa foi suspensa pelo TRE depois de questionamentos sobre a presença, no questionário, de perguntas relacionadas à disputa presidencial. A decisão determinou a suspensão da divulgação e estabeleceu multa de R$ 10 mil por ato de descumprimento.
Na sexta-feira, porém, a Procuradoria Regional Eleitoral se manifestou pela derrubada da liminar. Segundo o parecer, não houve irregularidade porque a AtlasIntel teria feito registros distintos no sistema PesqEle: o PA-04533/2026, referente às disputas para governador e senador no Pará, e outro, de abrangência nacional, relacionado à eleição presidencial. Para o MPE, as perguntas estavam previamente cadastradas e disponíveis para fiscalização, o que afastaria a hipótese de omissão ou fraude.
O parecer, entretanto, não derruba automaticamente a decisão judicial. A palavra final, neste momento, é do TRE.
O contrato
É nesse ponto que entra uma segunda questão, que ajuda a compreender por que o levantamento ganhou tamanha repercussão política. A AtlasIntel mantém contrato com o governo do Pará, por meio da Secretaria de Comunicação, para prestação de serviço de “monitoramento da opinião pública com metodologia de amostragem proprietária e singular, baseada em recrutamento digital”.
O Contrato nº 12/2025 foi assinado em 19 de dezembro de 2025, com vigência até 19 de dezembro deste ano. O valor mensal estimado é de R$ 133 mil. Se executado integralmente, o contrato representa aproximadamente R$ 1,596 milhão.
A relação contratual não demonstra, por si só, qualquer interferência do governo na pesquisa eleitoral nem irregularidade no levantamento. Mas é uma circunstância que passou a integrar o debate público justamente porque o instituto contratado pelo Estado apresenta, na pesquisa agora judicializada, números amplamente favoráveis ao grupo político que comandava o governo.
Relação anterior
A proximidade da AtlasIntel com o cenário eleitoral paraense também antecede o contrato. Em julho de 2025, meses antes da contratação, levantamento do instituto já havia colocado Hana na liderança da disputa pelo governo do Pará, com 33,4%. Em setembro, outro levantamento voltou a apontá-la à frente em diferentes cenários. O contrato com o governo foi assinado em dezembro daquele ano e permanece vigente durante o atual período eleitoral.
Outro dado acrescenta uma camada à discussão. A Portaria nº 1.088, de 19 de dezembro de 2025, designou servidores da Secretaria de Comunicação para fiscalizar o contrato com a AtlasIntel. Parte dos agentes que participaram daquela estrutura deixou posteriormente o governo e passou a atuar na campanha do MDB.
A circunstância, isoladamente, também não comprova irregularidade, mas ajuda a explicar por que a relação entre o poder público, o instituto de pesquisa e os agentes políticos passou a ser observada com maior atenção.
A pergunta agora
A questão que está sobre a mesa, porém, deixou de ser apenas a existência do contrato ou as circunstâncias que cercam a contratação. O ponto imediato é outro: o TRE vai manter a suspensão da pesquisa ou acolher o parecer do Ministério Público Eleitoral e permitir sua divulgação? É essa decisão que pode determinar se os números que colocam Hana na liderança continuarão oficialmente impedidos de circular ou ganharão novamente espaço na disputa eleitoral. Até a noite de sábado, a resposta continuava nas mãos do Tribunal. (Fonte: Coluna Olavo Dutra)


