Setor logístico pede obras na BR-163, em meio à alta no frete de grãos no Pará

A empresa de tecnologia de agendamento de cargas informa que os preços voltaram a subir na colheita e escoamento de soja. E permaneceram mais altos que no ano passado também para a segunda safra de milho ao longo do primeiro semestre deste ano

Transportar soja e milho para os terminais portuários do Pará ficou mais caro nos últimos meses. Em julho, o valor médio de rotas até Miritituba chegou a em R$ 310 por tonelada em julho. O percurso até Santarém custou de 30% a 50% a mais no período, mostra levantamento da Frete.com.

A empresa de tecnologia de agendamento de cargas informa que os preços voltaram a subir na colheita e escoamento de soja. E permaneceram mais altos que no ano passado também para a segunda safra de milho ao longo do primeiro semestre deste ano.

“A expectativa é de manutenção dos preços em níveis elevados enquanto durar a safrinha, com uma acomodação mais relevante apenas na entressafra, no fim do ano”, avalia Federico Vega, CEO da Frete.com, em respostas enviadas por aplicativo de mensagens.

Ele considera que o desequilíbrio entre oferta e demanda nos picos de safra ainda é o que mais movimenta os preços. Há uma limitação de oferta de caminhões com maior capacidade, que respondem por 98% da carga que segue para Miritituba e Santarém.

No entanto, as deficiências de infraestrutura também contribuem com esse aumento de custo, acrescenta o executivo. Trechos do corredor da BR-163 que ainda não foram pavimentados no Pará reduzem o ritmo do transporte e a eficiência, o que se agrava em períodos de chuva.

“Apesar de o Arco Norte continuar oferecendo o menor custo total de transporte para o norte de Mato Grosso, o custo por quilômetro permanece elevado em comparação com corredores mais consolidados, reflexo de limitações de estrutura e menor eficiência operacional na BR-163”, diz Vega.

O frete vai lá para cima e quem acaba sendo prejudicado é o produtor”
— Edeon Vaz, diretor executivo da Adecon

A situação da rodovia, especialmente entre Miritituba e Santarém, levou representantes de empresas de logística a cobrar do governo uma solução. Eles afirmam que a grande quantidade de buracos eleva o tempo de viagem e traz riscos e prejuízos para as operações.

Edeon Vaz, diretor executivo da Agência de Desenvolvimento Sustentável de Hidrovias e Corredores de Exportação (Adecon), reuniu-se, neste mês, por videoconferência, com integrantes do Ministério dos Transportes e do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).

Ele conta que mostrou aos servidores uma apresentação com fotografias de diversos pontos da rodovia, tiradas no fim de junho. As imagens captadas com um uso de um drone mostram a via esburacada e sem sinalização, e caminhões desviando pela mão contrária.

“Só faltou levar a apresentação para o ministro. Mas todos estão avisados. Um ônibus está levando oito horas de Santarém a Rurópolis. É um absurdo total”, protesta. O percurso tem 218 quilômetros, e, pelo menos, 170 estão danificados e sem condições de tráfego, relata Vaz.

De Rurópolis até o “trevo do 30” – onde a BR-230 volta a se conectar com a 163 – falta pavimentação. Em um dos pontos, enquanto os veículos passam por uma ponte de madeira, há, do lado, outra sem conexão com a rodovia.

Os prejuízos à logística ficam mais evidentes durante o chamado verão amazônico, explica o diretor da Adecon. É quando acontece a baixa do Rio Tapajós, limitando o uso da hidrovia. A saída é levar parte da carga de caminhão até Santarém, pelo corredor BR-163/230.

“Mas como vai fazer isso com uma estrada desse jeito? O frete vai lá para cima e quem acaba sendo prejudicado é o produtor”, protesta.

Edeon Vaz afirma ter recebido na reunião da semana passada, a informação de que os reparos entre Rurópolis e Santarém estão contratados. A execução está a cargo de três empresas para deixar o trecho apenas “trafegável”.

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) informa, em nota, que já firmou o contrato de obras emergenciais na BR-163. A autarquia explica que dividiu o trabalho em três lotes, e as empresas vencedoras da licitação já iniciaram os serviços.

“Para garantir a trafegabilidade da rodovia, estão sendo realizados serviços de reciclagem da base, reconstrução da sub-base e da base nos pontos mais críticos, além da execução de capa asfáltica e aplicação de microrrevestimento”, informa o DNIT, sem informar o prazo de conclusão dos reparos.

O DNIT acrescenta que ainda não há uma data definida para início das obras estruturais na rodovia. Afirma que concluiu a licitação no início de julho. Mas o Plano Anual de Trabalho e Orçamento (PATO) está na análise de documentação das empresas habilitadas para a assinatura do contrato.

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