Uma paciente de 76 anos morreutrês dias após ser submetida, por engano, a uma cirurgia destinada a outro pacienteno Hospital Beneficência Portuguesa, em Campinas, no interior de São Paulo. O caso ocorreu em junho e é alvo de apuração interna da unidade de saúde.
Jandira Marina Dias Braga estava internada para tratar uma obstrução intestinal causada pela recidiva de um câncer de cólon.De acordo com familiares, ela aguardava a definição da equipe médica sobre o tratamento quando foi encaminhada inesperadamente ao centro cirúrgico, sem que houvesse explicações sobre a necessidade do procedimento.
Em nota, o Hospital Beneficência Portuguesa reconheceu que houve um erro no encaminhamento da paciente. A instituição informou que instaurou uma sindicância interna para investigar as circunstâncias do caso e adotou medidas administrativas em relação aos profissionais envolvidos.
Família questiona versão apresentada pelo hospital
A neta de Jandira, a dentista Camila Dias Barozzi, afirmou que a idosa havia enfrentado o mesmo tipo de câncer cerca de 12 anos antes, quando respondeu bem ao tratamento. Segundo ela, a equipe de oncologia havia informado que o novo diagnóstico não apresentava metástase e que a expectativa era repetir o tratamento realizado anteriormente.
“A oncologista falou para a gente que não tinha metástase e que seria igual da última vez que ela fez o tratamento. Ela faria uma quimio e teria uma vida normal, igual foi a última vez que ela teve, há 12 anos”, relatou.
Ainda conforme Camila, após o erro, o hospital informou à família que a cirurgia teria proporcionado um benefício clínicoao permitir a drenagem de líquidos acumulados em razão da obstrução intestinal.
Em comunicado, a instituição afirmou que uma avaliação médica e técnica concluiu que a intervenção “não alterou o prognóstico da paciente“. A família, entretanto, contesta essa conclusão.
“No outro dia, ela já começou a voltar esse líquido com aspecto de fezes e vomitar. Então aquilo que ele tinha me falado que seria benéfico não foi”, afirmou a neta.
Quadro clínico da idosa se agravou após o procedimento
De acordo com o relato da família, oestado de saúde de Jandira piorou nas horas seguintes à cirurgia. Camila contou que a avó passou a apresentar taquicardia e sinais compatíveis com um quadro de sepse logo após o procedimento.
“Ela já começou a ter taquicardia, já começou a ter sinais de sepse logo após o processo cirúrgico. Foi então que o quadro clínico dela decaiu muito”, disse.
Os registros médicos apontam que, na manhã de 9 de junho, a paciente apresentou confusão mental, hipotensão, queda na saturação de oxigênio e alterações no ritmo cardíaco.Diante da piora, ela foi transferida para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde a equipe médica passou a investigarhipóteses comosepse e tromboembolismo pulmonar.
Após avaliação conjunta entre médicos e familiares, foi decidido pela adoção de cuidados paliativos, sem a realização de novos procedimentos invasivos. Jandira morreu às 19h30 do dia 11 de junho, conforme registro médico.
Família pretende recorrer à Justiça
Em entrevista ao portal G1, os familiares informaram quepretendem ingressar com medidas judiciais para apurar as responsabilidades pelo erro que levou Jandira ao centro cirúrgico e esclarecer as circunstâncias que antecederam sua morte.
O Hospital Beneficência Portuguesa informou que segue colaborando com a apuração do caso e reafirmou que a investigação interna está em andamento.


