A língua branca costuma ser causada por um problema simples e comum: o acúmulo de resíduos de alimentos, células descamadas e bactérias sobre a superfície da língua, formando a chamada saburra lingual. Na maioria das vezes, a camada desaparece com uma higiene adequada e não representa um risco à saúde.
No entanto, especialistas alertam que nem toda língua branca é inofensiva. Placas persistentes, que não saem com a escovação, além de dor, ardência, feridas ou dificuldade para engolir podem indicar doenças que precisam de investigação. O diagnóstico precoce é essencial para diferenciar alterações benignas de infecções ou lesões potencialmente perigosas.
Saburra lingual é a causa mais comum
Segundo a cirurgiã-dentista Rivane Laudares, que atende em Brasília, a maioria dos casos está relacionada à saburra lingual, favorecida por higiene inadequada, boca seca, desidratação, respiração pela boca, jejum prolongado e tabagismo.
“A avaliação clínica é fundamental para identificar se o problema está restrito à boca ou se existe alguma condição sistêmica que precise de investigação complementar”, diz Rivane.
A especialista explica que a saburra costuma ser facilmente removida durante a escovação da língua ou com o uso de raspadores linguais. Ela recomenda manter boa hidratação, escovar a língua diariamente, usar fio dental, evitar o cigarro e o uso excessivo de enxaguantes bucais com álcool, que podem ressecar a mucosa.
O dentista Eliziario Cezar Leitão, professor da Faculdade Aria, no Distrito Federal, destaca que algumas lesões podem se parecer com a saburra, mas apresentam características diferentes e exigem avaliação profissional.
“A leucoplasia é uma placa branca aderida à língua que não sai com a raspagem. Ela é considerada uma desordem potencialmente maligna e merece atenção, principalmente em fumantes”, alerta.
Além da leucoplasia, a candidíase oral também pode provocar placas brancas. Diferentemente da saburra, elas podem deixar a região avermelhada e sensível quando são removidas. Segundo o especialista, alterações persistentes nunca devem ser ignoradas, especialmente quando não desaparecem após a higiene bucal.
Sinais de alerta e prevenção
A periodontista Ludmila Madeira Pavan, da CROI Odontologia, em Brasília, afirma quea língua branca deve ser investigada quando persiste por mais de duas semanas ou vem acompanhada de outros sintomas.
“Placas brancas que não desaparecem com a higiene, dor, ardência, sangramento, endurecimento da região ou alterações na cor e na textura da língua são sinais que exigem avaliação do cirurgião-dentista”, explica.
A especialista lembra que, embora a maioria dos casos esteja ligada apenas à saburra lingual, algumas alterações podem estar associadas à candidíase, doenças autoimunes, deficiência de vitaminas, diabetes descompensada e lesões potencialmente malignas. O diagnóstico precoce é importante para identificar a causa e iniciar o tratamento adequado, quando necessário. (As informações são do Portal Metrópoles)


