Seis anos após a morte da cantora paraense Cleide Moraes, conhecida como a “Rainha da Saudade”, Victor Hugo dos Reis Morais, acusado de provocar o acidente que matou a artista deverá ser levado a júri popular. A decisão foi mantida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que rejeitou o último recurso apresentado pela defesa de Victor Hugo.
A informação foi confirmada ao Roma News por Brenda Moraes, filha da cantora. Segundo ela, após a decisão do STF, a juíza da Comarca de Benevides deverá definir a data do julgamento.
“Estamos no aguardo da juíza de Benevides marcar logo esse julgamento”, afirmou.
Na decisão mais recente, o ministro Gilmar Mendes negou seguimento ao recurso extraordinário da defesa e manteve o entendimento da Justiça do Pará de que o caso deve ser analisado pelo Tribunal do Júri. Victor Hugo responde por homicídio e tentativa de homicídio com dolo eventual, quando o acusado assume o risco de produzir o resultado.
O ministro entendeu que o pedido da defesa exigiria uma nova análise das provas do processo, o que não é permitido nessa fase processual pelo STF. Com isso, permanece válida a decisão que determina que os jurados decidam sobre a responsabilidade criminal do acusado.
“A justiça dos homens demorou, mas chegou”
Brenda Moraes contou que recebeu a notícia da decisão por meio da advogada da família, Maíra Moraes, e descreveu o momento como uma mistura de emoção e alívio após anos de espera.
“Quando eu recebi a notícia pela nossa advogada Maíra Moraes, a minha reação foi chorar. Depois veio uma sensação de alívio, de saber que agora eu tenho resposta para dar para as pessoas, para os amigos, para a sociedade, para os meus filhos e para a minha família principalmente. E que o mal que ele nos causou, ele vai pagar”, declarou.
Para a filha da artista, a decisão representa uma vitória construída ao longo de uma trajetória marcada pela dor e pela busca por justiça.
“É uma sensação de agradecimento a Deus, principalmente, de muita euforia e choro ao mesmo tempo. Agradecimento à nossa advogada, doutora Maíra Moraes, e a todo o Pará que nunca esqueceu da Rainha da Saudade, Cleide Moraes. A justiça dos homens demorou, mas chegou”, afirmou.
Brenda também revelou que, em diversos momentos, a família chegou a perder a esperança de que o caso fosse julgado.
“De certa forma não tínhamos mais esperanças. Eu principalmente esmureci várias vezes, porque minha mãe era muito presente nas nossas vidas e na vida de muita gente. Ajudava muita gente, fazia ações sociais e, de certa forma, todos ficamos órfãos”, disse.
Apesar das dificuldades enfrentadas ao longo dos últimos seis anos, ela afirma que o apoio recebido da população paraense foi fundamental para seguir em frente.
“Mas em cada abraço que eu recebia e recebo, eu vou me fortalecendo, buscando por justiça. E ela chegou”, completou.
Cleide Moraes morreu na noite de 26 de julho de 2020, após um grave acidente na rodovia PA-391, que liga Belém a Mosqueiro. A cantora retornava de uma apresentação quando o veículo em que estava foi atingido por um carro conduzido por Victor Hugo dos Reis Morais.
Reconhecida como uma das maiores intérpretes do brega e do bolero paraense, Cleide era chamada carinhosamente pelo público de “Rainha da Saudade”. Sua morte causou grande comoção no Pará e mobilizou artistas, fãs e autoridades.
Segundo o Ministério Público, Victor Hugo teria realizado uma ultrapassagem indevida e apresentava sinais de embriaguez no momento do acidente. Além da morte da cantora, outra pessoa ficou ferida.
Em 2022, o Tribunal de Justiça do Pará decidiu que havia elementos suficientes para que o acusado fosse submetido ao Tribunal do Júri. A defesa recorreu às instâncias superiores, mas os recursos foram rejeitados. Agora, com a decisão do STF, resta apenas a definição da data para que o caso seja julgado pelo júri popular. (Com Roma News)


