A prisão da delegada Layla Lima Ayub, recém-empossada no cargo em São Paulo, passou a ter repercussão direta em Marabá, no sudeste do Pará, após as investigações apontarem que o namorado dela, Jardel Neto Pereira da Cruz, conhecido como “Dedel”, é suspeito de integrar a cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC) na região Norte do país. O caso é investigado no âmbito da Operação Serpens.
Layla foi presa na manhã desta sexta-feira (sexta-feira (16/1)), durante uma ação conjunta do Ministério Público, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e da Polícia Civil. As apurações indicam suspeitas de organização criminosa, lavagem de dinheiro e exercício irregular da advocacia após a posse como delegada.
De acordo com as investigações, Jardel estaria em liberdade condicional quando passou a morar com Layla em São Paulo, período em que ela frequentava o curso de formação na Academia de Polícia. Uma fotografia divulgada pelas autoridades mostra o suspeito presente na cerimônia de posse da delegada, realizada em dezembro de 2025, fato considerado grave pelo Ministério Público, diante das restrições judiciais que recaíam sobre ele.
A ligação do caso com Marabá ocorre em dois pontos centrais. O primeiro envolve o cumprimento de mandados de busca e apreensão na cidade, como parte das diligências para coleta de provas e documentos. O segundo diz respeito à atuação profissional anterior de Layla no Pará, onde ela trabalhou como advogada criminalista.
Segundo informações apuradas pelo Portal Debate, Layla Ayub integrava a OAB Marabá e exercia a função de secretária da Comissão de Segurança Pública no município, o que reforça a conexão dela com a cidade e amplia o alcance das investigações sobre sua atuação profissional antes da posse como delegada.
Conforme apurado pelas autoridades, há indícios de que ela tenha participado de audiências de custódia envolvendo presos por tráfico de drogas e associação criminosa na região, inclusive após já ter sido empossada como delegada, o que é proibido pela legislação vigente.
As investigações também apuram a suspeita de que o casal estaria em tratativas para a compra de um estabelecimento comercial, que poderia ser utilizado para lavagem de dinheiro. Contratos e movimentações financeiras estão sendo analisados para verificar a origem dos recursos envolvidos.
Em nota, a Secretaria de Segurança Pública informou que a delegada não apresentava, antes da posse, condutas que a desabonassem, ressaltando que servidores recém-empossados permanecem em estágio probatório e podem ser investigados caso surjam indícios de irregularidades.
Layla Lima Ayub segue presa temporariamente, com prazo inicial de 30 dias, prorrogável por igual período, enquanto as investigações avançam para esclarecer o alcance das conexões criminosas e o possível papel de cada investigado no esquema. ( Portal Debate, com informações de UOL)


