Populares ateiam fogo em casa após morte de adolescente em Marabá; pai cobra justiça pelo filho

O fogo atingiu a residência quando não havia ninguém, e o proprietário estaria desaparecido desde a morte do adolescente. Até o momento, conforme informações apuradas, não há mandado de prisão expedido contra o homem, que, segundo relatos, trabalharia em uma empresa de materiais elétricos

A morte do adolescente Pedro Henrique de Souza da Silva, 14 anos, em Marabá, ganhou novos contornos nesta terça-feira (13), com o incêndio criminoso da casa do morador apontado como responsável pela instalação de fios expostos no quintal onde o jovem sofreu a descarga elétrica. Mas, no centro do caso, estão as falas do pai, Geneson Benício da Silva, que pede justiça, e da advogada Eliane Oliveira, que afirma ver indícios de crime doloso.

“Meu filho morreu por um fio de internet descascado que estava instalado em um pé de manga”, declarou Geneson à reportagem, ainda abalado. Segundo ele, o cabo teria sido colocado com a intenção de impedir que crianças colhessem os frutos, o que, para a família, configuraria um risco deliberadamente instalado em local de fácil acesso.

Geneson também relata que a tragédia ocorreu de forma rápida. Pedro brincava na rua com os irmãos, se aproximou do pé de manga para apanhar os frutos e acabou atingido pela descarga. “A gente tentou socorrer, tirou ele de perto, eu peguei meu filho e levei correndo”, disse o pai, ao lembrar a tentativa de resgate até o Hospital Municipal de Marabá, onde o adolescente chegou sem vida.

Pai de Pedro Henrique, Geneson Benício, mostra placa de moto de dono da casa onde filho morreu

Além da dor, o pai descreve indignação com a postura do vizinho após o ocorrido. De acordo com Geneson, o homem não prestou socorro e, desde o domingo (11), não foi mais visto no endereço. “Ele não ajudou em nada. Disse que viu tudo pelas câmeras e queria salvar o vídeo para ficar respaldado”, afirmou, ao comentar o que ouviu no momento do desespero.

A advogada Eliane Oliveira, que assumiu o acompanhamento do caso, disse que vai monitorar “todos os passos” da apuração policial. Na avaliação dela, a ocorrência não deve ser tratada como fatalidade. “Eu não vejo isso como acidente”, sustenta.

Para Eliane, os elementos relatados pela família e as circunstâncias da instalação apontam para uma conduta mais grave. Ela defende que a investigação considere homicídio doloso, e não culposo. Na interpretação da advogada, a colocação de fios descascados/energizados em área onde crianças circulam indicaria assunção do risco e possível intenção, o que reforçaria a tese de um crime “pensado”.

Na manhã desta terça (13), moradores revoltados incendiaram o imóvel ligado ao caso. O fogo atingiu a residência quando não havia ninguém, e o proprietário estaria desaparecido desde a morte do adolescente. Até o momento, conforme informações apuradas, não há mandado de prisão expedido contra o homem, que, segundo relatos, trabalharia em uma empresa de materiais elétricos em Marabá.

A investigação segue com a Polícia Civil, que informou anteriormente que o caso é apurado sob sigilo pela Delegacia Especializada no Atendimento à Criança e ao Adolescente (DEACA) de Marabá. A família aguarda a conclusão dos laudos e cobra a identificação e responsabilização do morador apontado como responsável pela instalação.

Enquanto isso, Geneson resume o que espera: “Eu só quero justiça pelo meu filho”, disse, ao pedir que o caso não seja esquecido e que a apuração avance até a responsabilização de quem colocou, segundo ele, o fio descascado no pé de manga. (Portal Debate)

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