Hapvida enfrenta crise e anuncia nova presidência sem data definida

Pinheiro sucede ao fundador Cândido Pinheiro no comando do conselho de administração, segundo fatos relevantes encaminhados ao mercado.

A Hapvida encerrou o ano de 2025 anunciando mudanças em sua direção executiva em meio a um quadro de forte instabilidade no mercado financeiro e volume elevado de queixas de clientes. No dia 22 de dezembro, a companhia divulgou um plano de sucessão que prevê a saída de Jorge Pinheiro do cargo de presidente-executivo (CEO) e sua transição para a função de chairman executivo, com o atual diretor financeiro, Luccas Augusto Adib, indicado para assumir a presidência ao longo de 2026, sem cronograma fechado para a transição. Pinheiro sucede ao fundador Cândido Pinheiro no comando do conselho de administração, segundo fatos relevantes encaminhados ao mercado.

A troca no comando ocorre em um momento de forte pressão sobre os resultados da operadora no mercado de capitais. Em 2025, as ações da Hapvida acumularam quedas superiores a 50% na B3, com os indicadores financeiros mostrando consumo de caixa elevado, dúvidas sobre a captura de sinergias após a fusão com a NotreDame Intermédica e margens pressionadas pela sinistralidade, que segundo dados recentes chegou a mais de 75% no terceiro trimestre.

O anúncio da mudança, e a ausência de uma data definida para sua conclusão, foi recebido com cautela por analistas e investidores, que vinham monitorando rebaixamentos de recomendação para os papéis por parte de instituições financeiras e reconfigurações na cúpula executiva, incluindo a saída do vice-presidente de operações.

No campo judicial e regulatório, a Hapvida e seu grupo enfrentam ações e cobranças em diferentes estados. No Amazonas, o Ministério Público ingressou com ação civil pública alegando descaso no atendimento a crianças com autismo, apontando discordâncias entre a prestação de serviços e normas vigentes. Em âmbito nacional, há relatos de aumento de ações judiciais e reclamações ligadas a negativas de cobertura e descumprimento de decisões judiciais, especialmente após a fusão com a NotreDame Intermédica, que ampliou significativamente a base de beneficiários da operadora.

No Pará, órgãos de defesa do consumidor e do sistema de Justiça têm registrado episódios de reclamações envolvendo a operadora. A Promotoria do Consumidor do Ministério Público do Estado do Pará expediu, em agosto de 2025, recomendação à Hapvida por falhas na prestação de serviços de saúde, após o recebimento de múltiplas denúncias sobre possíveis irregularidades, incluindo atrasos ou ausência de procedimentos essenciais e problemas nos canais de atendimento. Ainda no Pará, a Associação Nacional das Defensoras e Defensores Públicos (Anadep) obteve, em ação coletiva, decisão que determina o cumprimento de prazos máximos de atendimento estabelecidos pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Perspectivas e Estabilização para 2026

O conjunto de movimentos — sucessão no alto escalão, queda das ações, pressão financeira, ações judiciais e recomendações de órgãos públicos — coloca em foco os desafios operacionais e institucionais da Hapvida ao encerrar 2025, com perguntas pendentes sobre a capacidade de estabilizar sua atuação em 2026. (Com Diário do Pará)

Relacionados

Postagens Relacionadas

Nenhum encontrado

Cadastre-se e receba notificações de novas postagens!