MARABÁ (PA) – Nos últimos anos, as chamadas Big Techs passaram a desempenhar um papel de destaque, “para o bem ou para o mal”, nas relações políticas mundo afora por meio das redes sociais. As grandes empresas de tecnologia e inovação alteraram a tosca maneira do eleitor dialogar com o político em quem votou no Brasil. Este mesmo eleitor passou a cobrar mais as promessas de campanha, começou a fazer a defesa de seu político e ainda ajuda a defendê-lo de ataques e difamações nas redes sociais.
O político que despreza a força das redes sociais, hoje em dia, está fadado ao ostracismo. Para se ter uma ideia do tamanho da força das Big Techs, em 2020, o então presidente presidente Jair Bolsonaro (PL) alcançou 731,4 milhões de reações, comentários e compartilhamentos em 5.708 postagens feitas pelo ex-capitão. Antes das redes sociais, era impossível um presidente do Brasil fazer suas mensagens chegarem a tantas pessoas. A famosa “Voz do Brasil” andava longe destes números, embora chegasse a todos os rádios espalhados pelos rincões deste imenso Brasil.
Na eleição para prefeito da cidade de Marabá, no Pará, em 2024, o ex-deputado Delegado Toni Cunha (PL), sem um centavo no bolso, utilizou a força das redes sociais para vencer seu rival, deputado “Chamonzinho” (MDB). A equipe de marketing de Toni Cunha trucidou a campanha de “Chamonzinho” na força dos pequenos vídeos e flayers, feitos com estratégias e o “alvo” bem definido. Já a equipe de campanha do candidato emedebista, “comeu mosca”, não conseguiu se desvencilhar dos tentáculos das redes sociais e sucumbiu mesmo com um “tempo de TV” e uma estrutura de campanha muito maior.
Desde que assumiu a Prefeitura de Marabá, Toni Cunha vem dialogando com a população ou brigando com os desafetos ao estilo Bolsonaro, o famoso “bateu levou”. “Se papas na língua”, nos últimos dias, “Toni Bala”, como vem sendo chamado nas redes sociais, vem travando uma briga ferrenha com alguns vereadores da oposição. Durante as trocas de “sopapos virtuais”, a quantidade de seguidores do atual prefeito de Marabá, no Instagram, vem crescendo bastante e já atingiu quase o dobro dos seguidores dos 12 vereadores da oposição juntos.
Na noite desta terça-feira (18), os perfis do Instagram dos 12 vereadores da oposição juntos somavam 65.521 seguidores. Já o perfil pessoal de Toni Cunha somava 112 mil adeptos do bolsonarista . O número de interações em um perfil com cerca de 6 mil seguidores, o maior entre os vereadores oposicionistas, com certeza, será massacrado pelos apoiadores do atual prefeito de Marabá. Ao meu ver, os 12 edis rebeldes escolheram o “ringue errado” para tentar esbofetear Toni Cunha, pois ele sabe muito bem “jogar com as redes sociais” ao estilo de Jair Bolsonaro.
Se o governo de “Toni Bala” vai dar certo ou não, só saberemos no final do ano de 2028, ao final de seu mandato, antes desta data será mera especulação ou tentativa de algum espertalhão de “se dá bem”, usando o recurso público como escada, pois ainda não temos o dom de prevê o futuro, mas uma coisa é certa, tentar pautar as ações de sua gestão por meio das redes sociais, os 12 vereadores da oposição não irão conseguir, porque vejo que todos eles falam para uma “bolha” bem pequena.
Embora Toni também esteja conversando apenas para uma “bolha”, seu número de seguidores e interações é bem maior nas redes sociais de Marabá, logo percebe-se que a quantidade de comentários a favor do atual prefeito, seja em qual assunto for, com raras exceções, aparece muito maior que a quantidade de comentários negativos. No que se refere à quantidade de votos obtidos, nas eleições de 2024, Toni Cunha leva outra vantagem enorme, pois ele obteve 69.666 votos e os 12 vereadores oposicionistas juntos alcançaram apenas 27.617, em Marabá, ou seja, Toni Cunha recebeu quase o triplo de votos.
Do alto de sua sabedoria, a população de Marabá observa atenta o movimento das “pedras do xadrez” executado pelo Poder Executivo e Poder Legislativo na nova arena do embate político, as redes sociais de Marabá. Neste espaço virtual, vai se sobressair o agente público que possuir mais seguidores acostumados a participar e interagir com as publicações. Detalhe, qualquer pessoa com expertise em redes sociais saberá se o dono de um perfil qualquer comprou seguidores para escamotear uma situação desfavorável, mas trabalhar mais para melhorar a vida do povo costuma curar as feridas provocadas pela disputa política em Marabá. (Pedro Souza)


