Brigas entre políticos da direita “respingam” na campanha de Daniel Santos no Pará

Deputado federal Éder Mauro (PL), vereador de Ananindeua “Zezinho Lima” (PL) e vereador Mayky Vilaça (PL) de Belém protagonizam uma troca de acusações de corrupção que dominou as redes sociais.
Vereador Mayky Vilaça (PL) de Belém; Deputado federal Éder Mauro (PL) e vereador de Ananindeua "Zezinho Lima" (PL) protagonizam uma troca de acusações de corrupção que dominou as redes sociais - Foto: Redes Sociais

OPINIÃO – A pré-campanha eleitoral de 2026 no Pará ganhou um novo ingrediente de desgaste político após a explosão da guerra pública entre o deputado federal Éder Mauro (PL) e o vereador de Ananindeua “Zezinho Lima” (PL) e atinge em cheio a pré-campanha de Daniel Santos (Podemos) ao governo do Pará.

O embate, que começou nas redes sociais, rapidamente chegou à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR), transformando-se em uma das maiores crises internas já enfrentadas pelo Partido Liberal no Estado. Por pouco, vereador e deputado, antes aliados, não chegaram “às vias de fato”.

Zezinho Lima afirma ter protocolado uma notícia-crime na PF e representação na PGR, entregando documentos, extratos bancários, comprovantes de transferências, áudios e conversas que, segundo ele, justificariam a investigação de um suposto esquema envolvendo recursos de emendas parlamentares destinadas à saúde.

O vereador também declarou que pretende pedir a cassação do mandato de Éder Mauro e responsabilização criminal, caso os fatos sejam comprovados pelas autoridades. Até o momento, não há confirmação pública de abertura de inquérito nem decisão judicial que comprove as acusações. O “arranca rabo” entre Éder Mauro e Zezinho Lima se junta às broncas que o pré-candidato a governador Daniel Santos já enfrenta no Poder Judiciário. Veja:

Investigações e Operações contra Daniel Santos

● Operação Hades: Apura fraudes em licitações e bloqueio de bens relacionados a investigados por corrupção.

● Aquisição de Bens de Luxo: O Ministério Público investiga a compra de uma mansão no Ceará, além de suspeitas envolvendo fazendas e aeronaves custeadas por empresas com contratos públicos.

● Merenda Escolar: Há apurações sobre contratos milionários e suposto superfaturamento na compra de carnes para a rede municipal de ensino.

Tramitação Jurídica

● Afastamentos e Recursos: O político já enfrentou decisões de afastamento cautelar do cargo, seguidas de disputas judiciais sobre a validade das investigações e competência de atuação entre instâncias estaduais e o Supremo Tribunal Federal (STF).

Defesa

A defesa de Daniel Santos e seus aliados negam irregularidades, classificando as acusações como perseguição política em virtude de sua atuação eleitoral no estado do Pará e ser adversário e desafeto do grupo político comandado pelo ex-governador Helder Barbalho (MDB).

Éder Mauro reage e fala em armação

O deputado Éder Mauro nega todas as acusações e sustenta que está sendo vítima de uma articulação política para destruir sua reputação. Em vídeos divulgados nas redes sociais, o parlamentar apresentou comprovantes de transferências via Pix e conversas que, segundo ele, demonstrariam que Zezinho Lima e aliados teriam financiado a produção de uma falsa denúncia contra sua pessoa.

O deputado informou que sua equipe jurídica adotará as medidas judiciais cabíveis. Assim, a crise passou a ser marcada por acusações recíprocas, nas quais cada lado afirma possuir provas para sustentar sua versão.

Vereador Mayky Vilaça também entra no centro da crise

Outro nome que passou a ocupar espaço nas denúncias é o do vereador Mayky Vilaça (PL) de Belém. Segundo Zezinho Lima, um ex-assessor ligado ao gabinete de Mayky teria participado de movimentações financeiras apontadas nos documentos apresentados à PF. Com base nessas alegações, o vereador anunciou que também pretende pedir a cassação de Mayky Vilaça junto ao Conselho de Ética da Câmara Municipal de Belém. Mayky foi citado nas denúncias, mas, até o momento, não há decisão judicial que confirme qualquer irregularidade atribuída a ele.

Repercussão política

Independentemente do desfecho das investigações, o episódio produziu forte desgaste para a imagem da direita paraense próxima a Daniel Santos.

Durante anos, lideranças do PL construíram seu discurso político defendendo o combate à corrupção. Agora, parte desse mesmo grupo protagoniza uma disputa pública recheada de acusações envolvendo supostos desvios de recursos públicos, lavagem de dinheiro, compra de testemunhas, ameaças e disputas internas por espaço eleitoral.

As denúncias dominaram as redes sociais, produziram milhares de compartilhamentos e passaram a ocupar o debate político no Estado do Pará, enquanto a direção estadual do PL informou que acompanha o caso e iniciou procedimentos internos para apurar os fatos.

Reflexos para o cenário eleitoral

Do ponto de vista político, o conflito tende a aumentar o desgaste da direita paraense justamente quando o campo conservador busca ajudar a candidatura competitiva para as eleições de 2026 de Daniel Santos.

Analistas políticos avaliam que crises dessa natureza costumam consumir tempo, dividir lideranças, afastar aliados e dificultar a construção de uma narrativa unificada durante a pré-campanha. Nesse contexto, adversários políticos podem explorar o episódio para questionar o discurso anticorrupção adotado por integrantes da direita.

Neste “quipocró” político, é provável que o assunto permaneça em evidência enquanto Polícia Federal, Ministério Público Federal e Procuradoria-Geral da República analisam o material apresentado por Zezinho Lima e eventuais medidas adotadas pelas partes envolvidas.

Neste momento, porém as acusações permanecem em fase inicial de apuração e ainda não foram confirmadas pela Justiça. No entanto, uma coisa é certa, o “discurso anticorrupção” não poderá ser explorado pela direita no Pará nas eleições 2026, pois, assim como em Brasília, Rio de Janeiro e Santa Catarina, entre outros estados, o bolsonarismo anda “atolado” na lama da corrupção, um problema que não pode ser banalizado na direita nem na esquerda no Brasil. (Pedro Souza)

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