Marabá enfrenta ameaça de mexilhões dourados no Rio Tocantins

A pesquisadora Eliane Brabo de Sousa destacou sinais de eutrofização no Rio Itacaiunas, indicando um excesso de nutrientes, como nitrogênio e fósforo, geralmente associado ao despejo de esgoto, resíduos industriais e lixões.

MARABÁ (PA) — Desde a última segunda-feira (14/10), técnicos e pesquisadores do Instituto Evandro Chagas (IEC) estão em Marabá, Itupiranga e Tucuruí realizando a “Operação Água Limpa”. A iniciativa, solicitada pelo Ministério Público do Estado do Pará (MPPA), conta com a colaboração das Promotorias de Justiça Ambiental e da 3ª Região Agrária de Marabá, lideradas pelas promotoras Josélia Leontina de Barros Lopes e Alexssandra Muniz Mardegan.

O objetivo da operação é investigar os impactos ambientais relacionados à morte de peixes no Lago Vermelho I e à invasão de mexilhões dourados no Pedral do Lourenção, no Rio Tocantins. Essas ocorrências têm preocupado tanto pescadores quanto ambientalistas, pela ameaça que representam para o ecossistema local e para as famílias ribeirinhas que dependem da pesca para sobreviver.

Coletas de amostras e análises em campo

Nos primeiros dias da operação, equipes do IEC e da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (UNIFESSPA) coletaram amostras de água em pontos estratégicos do Lago Vermelho e dos rios Tocantins e Itacaiunas. A meta é identificar possíveis poluentes e avaliar as condições ecológicas da água. Uma parte das análises já foi iniciada em um laboratório temporário montado no Campus II da UNIFESSPA, enquanto outras amostras estão sendo encaminhadas para a sede do IEC em Belém.

De acordo com Aline Gomes, técnica do Laboratório de Bioindicadores do IEC, o foco inicial é avaliar a qualidade físico-química e microbiológica da água. “Algumas amostras precisam ser analisadas em até 48 horas. Por isso, iniciamos parte do trabalho em Marabá e concluiremos o restante em Belém”, explicou.

Efeitos do excesso de nutrientes e impacto da invasão de espécies exóticas

A pesquisadora Eliane Brabo de Sousa destacou sinais de eutrofização no Rio Itacaiunas, indicando um excesso de nutrientes, como nitrogênio e fósforo, geralmente associado ao despejo de esgoto, resíduos industriais e lixões. “O nível ideal desses nutrientes deveria ser controlado e derivar principalmente de fontes naturais, como a floresta. No entanto, em áreas urbanizadas como essa, é essencial monitorar repetidamente para identificar as principais fontes poluidoras”, afirmou Eliane.

Durante a operação, foi coletada água em diferentes pontos, incluindo regiões acima e abaixo de um frigorífico local, um dos principais emissores de resíduos no rio. O pesquisador Adaelson Medeiros ressaltou a necessidade de um monitoramento contínuo para mensurar os níveis de nutrientes e orientar medidas preventivas. “Visualmente, já notamos diferença na água, mas os dados precisos só serão obtidos com análises laboratoriais”, explicou.

Monitoramento dos mexilhões dourados e preservação do ecossistema

Outro ponto crítico da operação é o acompanhamento da invasão dos mexilhões dourados, uma espécie exótica que ameaça a fauna e flora nativas do Rio Tocantins. A proliferação desses mexilhões pode afetar a biodiversidade aquática e gerar prejuízos econômicos, especialmente para as comunidades de pescadores. A Promotoria de Justiça Ambiental está atenta às possíveis repercussões e trabalha para conscientizar a população sobre a importância da preservação dos recursos hídricos.

Conscientização e ações futuras

Além de investigar as causas dos problemas ambientais, a Operação Água Limpa busca promover um diálogo com a comunidade e especialistas, incentivando a adoção de medidas preventivas. A iniciativa também reforça a importância de preservar a sociobiodiversidade e garantir a sustentabilidade dos recursos naturais na região.

O trabalho das equipes de pesquisa e monitoramento é fundamental para orientar políticas públicas e mitigar os impactos ambientais. A expectativa é que, com os dados obtidos, sejam adotadas ações mais eficazes para preservar os rios e melhorar a qualidade de vida das comunidades ribeirinhas de Marabá e região. (Portal Debate)

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