Posts no Twitter entregaram esquema de alunos de medicina da Uepa

André Ataíde, aluno do 9º semestre da Uepa, é investigado por suspeita de ter feito prova do Enem para primo Eliésio Ataíde e amigo Moisés Assunção, também aprovados para o curso de medicina com notas fraudulentas
Eliesio Ataíde, André Ataíde e Moisés Assunção prestaram depoimento na Delegacia da PF em Marabá durante a manhã desta sexta-feira (16) | Foto: Reprodução

MARABÁ, SUDESTE DO PARÁ — Postagens em redes sociais foram cruciais para elucidar o esquema de fraude do Enem, envolvendo três indivíduos: André Ataíde, aluno do 9º período de medicina na Uepa, que realizou as provas; Eliésio Ataíde, primo de André; e Moisés Assunção, estudante de psicologia na Unifesspa.

Segundo a Polícia Federal, André teria realizado o exame no lugar dos outros dois, também aprovados no curso de medicina da mesma universidade. Os três são investigados na operação “Passe Livre”.

Na sexta-feira (16), uma ex-namorada de um dos envolvidos fez postagens sobre a fraude, o que chamou a atenção das autoridades. Os agentes foram em busca da mulher, que auxiliou na apuração do caso ao mostrar as mensagens aos investigadores.

As investigações, que começaram há 20 dias após denúncias anônimas, revelaram que André teria realizado a prova para Eliésio em 2022 e para Moisés em 2023.

O caso ganhou destaque nas redes sociais no início deste ano, após diversas postagens do próprio André, admitindo ter recebido pagamento e realizado provas do Enem para terceiros.

Segundo a PF, suspeita-se que André tenha usado identidades falsas para se passar pelo amigo e pelo parente, realizando as provas do Enem em seus lugares.

Na manhã de sexta-feira (16), buscas e apreensões foram realizadas contra os suspeitos, porém não foram encontrados documentos falsos.

A perícia realizada nas provas revelou que as grafias dos suspeitos e as grafias na prova de redação são incompatíveis. A letra em ambos os exames apresenta semelhanças com a de André.

O delegado Ezequias Martins de Marabá afirmou: “Chegou uma notícia-crime anônima na Polícia Federal. Depois disso, fizemos a verificação da procedência das informações, confirmando elementos para instauração de inquérito. Então requisitamos documentos ao INEP e cópias para a Uepa para fazer comparação de assinaturas. Também acionamos a UNIFESPA, porque um dos envolvidos já estudou lá. Com base na análise desses documentos, solicitamos perícia que constatou a falsidade.”

Após o resultado pericial, a PF solicitou à Justiça mandado de busca e apreensão, que foi decretado. Na operação, foram apreendidas provas do Enem e aparelhos telefônicos. Os três suspeitos prestaram depoimento à PF e foram liberados. Todos negam as acusações.

Em nota, a Uepa informou que “a execução das provas do Enem é de responsabilidade do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. A Uepa acompanha e colabora com as investigações conduzidas pela Polícia Federal e aguarda a conclusão do processo para tomar as medidas cabíveis”. (Portal Debate, com PF)

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