Uma investigação realizada pelo projeto Unearthed e seus parceiros revelou que a empresa britânica Serabi Gold está realizando atividades de mineração de ouro no Pará, no Brasil, sem a devida autorização do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), órgão governamental responsável pela propriedade da terra. Além disso, a empresa está operando com licenças contestadas por agências estaduais e sem consultar a comunidade indígena que vive nas proximidades da mina.
Em 2017, a Serabi Gold adquiriu a empresa canadense Chapleau, responsável pelo projeto de mineração Coringa, localizado entre os municípios de Novo Progresso e Altamira, no sudoeste do Pará. No ano passado, a empresa britânica começou a transportar minério para processamento em uma segunda mina, situada a 200 quilômetros ao norte, após abrir túneis de 4,5 metros de largura no local.
No entanto, a mina Coringa está localizada dentro de um assentamento sustentável de reforma agrária chamado Terra Nossa, e o Incra afirma, de acordo com a investigação da Unearthed, que nunca autorizou atividades de mineração ou prospecção no assentamento. Um relatório oficial do Incra, que foi analisado pela investigação, indica que a mina foi originalmente desenvolvida por meio de um acordo com supostos grileiros, ou seja, pessoas que se apropriam ilegalmente de terras.
Outra questão controversa envolve as licenças na área de Coringa: um tribunal superior do Brasil decidiu em 2021 que não deveriam ser concedidas mais licenças até que um estudo de impacto indígena fosse concluído. No entanto, no ano passado, duas agências governamentais renovaram as licenças existentes, contrariando a decisão judicial.
A situação atual em Coringa é preocupante, já que uma empresa britânica está extraindo minério de ouro da Amazônia sem pagar royalties ou taxas a ninguém. Além disso, a Serabi Gold está operando sem as devidas autorizações do Incra e ignorando a consulta à comunidade indígena afetada. (Portal Debate, com Fórum Mineral)


