Após ter sido retirada clandestinamente do fundo do rio, a lancha “Dona Lourdes II”, que naufragou em setembro de 2022 deixando 23 pessoas mortas próximo à ilha de Cotijuba, agora voltou a naufragar, desta vez no canal do Carnapijó, segundo informações divulgadas pela Marinha do Brasil nesta sexta-feira (3).
A embarcação foi retirada cinco meses após o naufrágio, sem o conhecimento das autoridades, e rebocada até o município de Abaetetuba. As informações foram repassadas por testemunhas à Capitania dos Portos da Amazônia Oriental (CPAOR).
Em nota, a Marinha informou que inspetores navais seguem coletando informações para confirmar o afundamento da lancha e a posição dela.
O Disque Emergências Marítimas e Fluviais recebe ligações pelo 185, ou pelos fones (91) 3218-3950 ou (91) 98134-3000 (aplicativo de mensagens instantâneas).
Em fevereiro, a Capitania dos Portos informou que não foi dada entrada no pedido formal de reflutuação, o que está previsto na Norma da Autoridade Marítima sobre Assistência e Salvamento e às Atividades de Pesquisa, Exploração, Remoção e Demolição de Coisas e Bens Afundados, Submersos, Encalhados e Perdidos (Normam-10), o que pode ser enquadrado como infração à Lei da Segurança do Tráfego Aquaviário (Lesta).
De acordo com a instituição, a embarcação está abarrancada nas proximidades do trapiche de Cotijuba.
A reflutuação permite que seja realizada perícia na embarcação e até mesmo oferecer elementos para o inquérito aberto sobre o caso.
A embarcação Dona Lourdes II saiu da ilha de Marajó para a capital paraense, e afundou perto da Ilha de Cotijuba. O barco não tinha autorização para navegar e partiu de um porto clandestino. À bordo estavam mais de 80 pessoas e 23 morreram. Não havia oficial de passageiros.
Entre os relatos dos sobreviventes está o fato de que o condutor da embarcação teria demorado a chamar socorro quando o barco começou a afundar, além de não orientar os ocupantes do barco e não distribuir os coletes salva-vidas.
Sobreviventes apontaram que os salva-vidas não teriam condições de uso — muitos se rasgavam. Alguns pescadores que ajudaram no resgate encontraram pessoas já sem vida com colete.
Marcos Oliveira, comandante da lancha, foi preso no dia 13 de setembro, após passar cinco dias na condição de foragido, uma vez que o mandado de prisão contra ele foi expedido um dia após o naufrágio, dia 9 de setembro. A prisão foi por homicídio doloso, com agravantes de outros crimes, como omissão de socorro.
A Justiça do Pará concedeu habeas corpus a Marcos Oliveira em dezembro de 2022 durante sessão da Seção de Direito Penal do Tribunal de Justiça do Pará (TJPA), conduzida pela desembargadora Maria de Nazaré Silva Gouveia dos Santos. O alvará de soltura foi assinado pelo desembargador José Roberto Pinheiro Maia Bezerra Júnior.


