Protesto cobra solução para caso de mulher morta com tiro na cabeça no interior do Pará.

Perícia do Instituto Médico Legal (IML) apontou que Clívia Viana cometeu suicídio, porém parentes e amigos contestam a versão da Polícia Civil de Cametá.
Clívia estava grávida e deixou um filho de 11 anos. A família dela não acredita em suicídio. (Reprodução/ Redes sociais)

LIMOEIRO DO AJURU (PA) – A Polícia Civil investiga a morte da jovem Clívia Viana, de 32 anos, encontrada morta com um tiro na cabeça, no dia 7 de janeiro de 2023, dentro do apartamento em que morava com o namorado, um policial militar, cujo nome não foi divulgado, em Cametá, no nordeste do Pará.

Nesta segunda-feira (16), será realizada uma caminhada pelas ruas da cidade, para pedir respostas e esclarecimentos sobre a morte da vítima. A saída está marcada para ocorrer às 6h, do Terminal Hidroviário de Limoeiro do Ajuru, onde a moça nasceu, distante cerca de 42 km de Cametá.

No local do ocorrido do crime, a polícia informou que a jovem teria cometido suicídio com a arma de seu companheiro, mas a família de Clívia não acredita nessa versão. O PM estava dentro do apartamento no momento do disparo e já foi ouvido pela polícia. O casal estava junto há quase dois anos. O relacionamento dos dois seria abusivo, de acordo com a família de Clívia Viana, que estava grávida e deixou um filho de 11 anos.

Por nota, a Polícia Civil disse que “o caso está sendo investigado por meio da Delegacia do município de Cametá. Perícias foram solicitadas e apurações estão sendo conduzidas para identificar as causas da morte”.

A PM informou que “já identificou o militar e a Corregedoria-Geral vai adotar as providências pertinentes e também irá acompanhar as investigações por parte da Polícia Civil. Caso comprovada a prática do crime pelo policial, a Polícia Militar adotará as medidas necessárias.”

O caso

De acordo com o boletim da Polícia Militar, no dia 7 de janeiro de 2023, vizinhos ouviram um disparo de arma de fogo vindo do imóvel do casal e acionaram a PM. Quando os policiais adentraram no apartamento, afirmam que encontraram Clívia Viana morta dentro de um banheiro. O restante do imóvel estaria intacto, conforme a polícia.

Ainda segundo o boletim, a jovem teria cometido suicídio. Ela apresentava um tiro na região da cabeça, e a arma usada teria sido a pistola funcional de seu companheiro, segundo a polícia. Constatada a morte de Clívia, por parte do Corpo de Bombeiros, os PMs isolaram a área e acionaram as Polícias Científica do Pará (PCP) e Civil (PC).

O corpo da jovem foi analisado e removido para o Instituto Médico Legal (IML) de Abaetetuba, uma vez que o município de Cametá não dispõe de policiais científicos. O laudo com as causas da morte e a dinâmica do ocorrido deverá ficar pronto nas próximas semanas.

Familiares e amigos confeccionaram cartazes para a caminhada que pede justiça para a morte de Clívia Viana.
Familiares e amigos confeccionaram cartazes para a caminhada que pede justiça para a morte de Clívia Viana. (Reprodução/ Redes sociais)

O que dizem os familiares e amigos de Clívia Viana?

Familiares e amigos não acreditam na possibilidade de suicídio, uma vez que Clívia viveria em um relacionamento abusivo com o militar. A família afirma que o agente estava no apartamento no momento do disparo. “Ele fala que a arma estava em cima da cama, ele virou para pegar o carregador (de celular) que estava no outro quarto, ela pegou a arma saiu correndo para o banheiro e se trancou”, disse uma fonte, que não terá identidade divulgada nesta matéria por questões de segurança, ouvida pela reportagem neste domingo (15).

No dia 7, vizinhos teriam ouvido uma discussão entre o casal. “Ele chegou por volta de meio-dia e pouco, quase uma hora, ela desceu para abrir o portão e eles subiram brigando, gritando, discutindo”, acrescentou.

Naquele mesmo dia, Clívia teria ligado para uma pessoa próxima da família e dito que estava solteira e voltaria para Limoeiro do Ajuru na lancha das 16h. Ainda de acordo com a fonte, o intuito da moça era contar sobre a gravidez para os familiares.

Após a morte da jovem, a família teria recebido diversas mensagens de pessoas que supostamente já tinham presenciado situações de abuso por parte do policial.
“Depois que isso aconteceu, muitas pessoas chegaram, através das redes sociais, falando que presenciavam em festas, quando eles estavam, o ciúme que ele tinha por ela, as agressões”, revelou a fonte.
Desde o ocorrido, a família diz que nunca teve acesso ao apartamento onde tudo aconteceu, segundo a fonte ouvida pela reportagem. Ainda no dia 7, um parente de Clívia fez contato com o militar para pedir os documentos da jovem, pois a família iria precisar para dar entrada nos procedimentos de emissão da certidão de óbito. O agente teria determinado o horário e o lugar onde os pertences da jovem seriam deixados.
Ao chegarem no local combinado, uma terceira pessoa teria feito a entrega. Os pertences já estavam todos encaixotados e lacrados. O fato chamou atenção e foi registrado em vídeo. “As coisas dela foram entregues em outro local por uma terceira pessoa, que não tem nada a ver com o que aconteceu. Faltou muita coisa pessoal dela, muita mesmo”, disse a fonte. (Portal Debate, com O Liberal)
Os pertences da jovem foram encaixotados e entregues em local e horário determinados pelo militar.
Os pertences da jovem foram encaixotados e entregues em local e horário determinados pelo militar – Foto: Reprodução

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