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Violência contra LGBTQIA+ aumenta no Pará

Com aumento da violência, muitas vezes as vítimas têm medo de denunciar.
Crédito: Reprodução
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Neste dia 28 de junho, Dia do Orgulho LGBTQIA+ (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Trans, Travestis, Queers, Intersexuais, Assexuais e mais), o Brasil continua sendo o país que mais tem assassinatos destas populações. No Pará, nos cinco primeiros meses de 2021, o número de crimes já ultrapassa a metade de todos os casos registrados em 2020.

Os dados no estado são da Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (Segup). Foram 71 casos de crimes LGBTIfóbicos em 2020 e 41 entre janeiro e maio deste ano. E com o aumento da violência, muitas vezes as vítimas têm medo de denunciar.

O presidente da Comissão de Diversidade Sexual e População LGBTQIA+ da Ordem dos Advogados do Brasil Seção Pará (OAB-PA), João Jorge, fala da importância de fazer o registro dos crimes.

“Infelizmente muitas pessoas não registram o boletim de ocorrência, seja por falsas notícias de que não vai acontecer nada ou também por medo de sofrer alguma represália, por parte da pessoa que praticou a violência ou ainda por medo de sofrer alguma violência institucional, não tendo respeitada a sua identidade de gênero ou a sua orientação sexual, mas eu quero dizer que mesmo quando isso acontecer não se pode deixar de procurar outras instituições como a própria OAB”, afirma.

Uma mulher lésbica nunca imaginou que ao longo de 12 anos de serviço público passaria por perseguição, mas a história de luta dela contra o preconceito foi vivenciada no próprio ambiente de trabalho.

“Desde quando cheguei lá, eu já senti uma certa resistência, uma certa discriminação, porque no momento que cheguei pra trabalhar fui colocada no último guichê, na última cadeira, sendo que tinham outros lugares, eu fui isolada dos colegas, de todos os demais servidores, mas enfim, continuei com as minhas obrigações, fazendo o meu trabalho normal”, ela conta.

“O assédio era velado, via que a fiscalização era muito grande, só no meu trabalho, só nas atividades que eu fazia, meus erros eram expostos publicamente na frente dos demais colegas, era constantemente constrangida, até mesmo na frente do público que eu estava atendendo, porque lá é um trabalho com o público”.

Segundo ela, os assédios dificultam o trabalho e a vida cotidiana. “Não consegui mais trabalhar direito, perdi o sono, tive sintomas de ansiedade e comecei a procurar meus superiores, tentar me defender de todas as maneiras que tinha quando soube de todas as palavras absurdas que falavam sobre mim. Inclusive já disseram que todos os gays são promíscuos, e que eu era uma pessoa promíscua, sendo que tenho relacionamento de 36 anos com uma única pessoa, e há dez anos sou casada com essa pessoa. Isso me ofendeu muito, ela não falou só pra mim, mas ela ofendeu a classe toda”.

Hoje afastada do trabalho por questões médicas, a funcionária denuncia o caso à Corregedoria do órgão que trabalha e também na delegacia de crimes homofóbicos.

A publicitária Luan Araújo também não escapou desse tipo de violência. Em maio sofreu preconceito dentro de um carro de transporte de aplicativo, por ser uma mulher trans, na rua da própria casa. “Fui atacada pelo motorista, ele me arranhou toda no peito, me machucou, gritava comigo, não sabia se ia sair dali viva, mas consegui sair do carro, empurrei ele e fugi”.

Para denunciar crimes de LGBTIfobia, em Belém existe a Delegacia de Combate a Crimes Difamatórios e Homofóbicos, que funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h, na rua Avertano Rocha, 417, no bairro da Cidade Velha. (G1/Pará)

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